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GM brasileira pode desenvolver carro ''global''

Responsável pelas operações da GM fora dos EUA diz que País manterá projetos independêntes

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Em sua primeira visita a uma filial desde que assumiu as operações internacionais da General Motors, no início do mês passado, Nick Reilly, executivo que comanda todas as operações da companhia fora da América do Norte, disse ontem que o Brasil manterá sua independência para desenvolver novos carros. Alguns deles, como o Agile, que será lançado em outubro, serão modelos voltados para o mercado latino-americano, mas outros poderão ultrapassar as fronteiras da região.Segundo ele, o investimento de R$ 2 bilhões anunciado recentemente pela GM do Brasil para uma nova família de veículos pode ter um dos chamados "carros mundiais", que são fabricados e vendidos em diversos mercados. Os carros que farão parte dessa família, por enquanto chamada de Onix, já estão sendo desenvolvidos no centro de design e engenharia da empresa em São Caetano do Sul (SP), mas a chegada ao mercado está prevista para 2012.As operações que estão sob o comando de Reilly, executivo da GM desde 1975, respondem hoje por 65% das vendas mundiais do grupo, que viu sua participação nos Estados Unidos, por muitas décadas o maior mercado mundial, despencar nos últimos anos. O Brasil é o segundo maior mercado da marca fora dos EUA (com 326,4 mil unidades vendidas de janeiro a julho), atrás da China, que vendeu 959 mil veículos.SEM RISCOS"O Brasil é uma operação extremamente importante para a GM e tem um centro de desenvolvimento que é referência para outros países", disse Reilly ontem a um grupo de jornalistas em sua breve passagem de três dias pelo País. Ele reforçou que a subsidiária brasileira em nenhum momento correu riscos durante o processo de concordata da matriz, que durou 40 dias.A nova GM que nasceu da reestruturação do grupo, com a maioria das ações nas mãos do governo dos Estados Unidos - que liberou US$ 50 bilhões para a companhia, sendo US$ 25 bilhões em dinheiro e o restante em dívidas assumidas -, deve anunciar, nas próximas semanas, um significativo investimento em novos produtos."Até que esse anúncio ocorra, o investimento (de R$ 2 bilhões) confirmado para o Brasil é o maior feito pela companhia nesse período de crise mais profunda", disse Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil. Parte do montante virá de recursos da própria filial e parte de empréstimos de bancos locais.Reilly aposta que a General Motors continuará no ranking das maiores fabricantes mundiais de automóveis, mas concorda que, este ano, a China vai ultrapassar os Estados Unidos em vendas pela primeira vez na história. "Inicialmente acreditávamos que isso ocorreria apenas em 2020, depois mudamos para 2015, mas vai ocorrer mesmo em 2009", afirmou Reilly. "Foi muito rápido." Não é por acaso que o escritório das operações internacionais da empresa fica localizado em Xangai.CONTRATAÇÕESA fábrica da GM de São Caetano do Sul (SP) inicia na próxima semana a contratação de 100 funcionários temporários para reforçar a produção e reduzir horas extras de trabalho, informou Ardila. O grupo, que no início do ano dispensou cerca de 1,4 mil trabalhadores que tiveram os contratos vencidos no período, já havia recontratado 50 deles no mês passado.Nos primeiros dias deste mês, o mercado de carros está inferior ao de julho, que já foi menor do que o de junho. Ardila prevê vendas totais de 250 mil unidades, ante 285 mil no mês passado. "Em setembro, certamente o mercado vai reaquecer novamente", disse o executivo. Será o último mês de redução integral do IPI. A partir de outubro, as alíquotas normais serão retomadas gradualmente até início de janeiro.

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