GM começa processo para voltar à bolsa de valores

Empresa fará oferta pública de ações, que poderá ser a maior da história americana.

BBC Brasil, BBC

19 de agosto de 2010 | 05h37

A General Motors deu início a um processo de oferta pública das suas ações, que tem potencial para se tornar a maior da história americana.

A GM, que tem 61% das suas ações sob controle do governo americano, oficializou sua proposta à comissão de valores dos Estados Unidos.

Analistas acreditam que a oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) levantará entre US$ 12 bilhões e US$ 20 bilhões.

Com isso, o Tesouro americano pode começar a se recuperar do prejuízo de US$ 50 bilhões, do pacote de ajuda à montadora.

Executivos da GM reiteraram por vários meses que estavam planejando uma forma de recapitalizar a empresa, para ela repagar a dívida que tem junto aos governos dos Estados Unidos e Canadá.

"Isso é um sinal do retorno ao normal, de se poder repagar ao contribuinte. Fazendo a empresa voltar a ser uma companhia com ações vendidas publicamente", disse Rebecca Lindland, da consultoria IHS Automotive.

O relatório de 700 páginas do IPO junto à comissão de valores americana foi apresentado uma semana depois de a GM anunciar ganhos de US$ 1,6 bilhões, o maior lucro em seis anos.

A venda de ações deve acontecer no final do ano. A maior oferta pública de ações da história dos Estados Unidos foi realizada pela Visa em 2008, atingindo US$ 19,7 bilhões.

Demanda incerta

"A quantidade de ações ofertadas será determinada pelas condições do mercado e por outros fatores no momento da oferta", afirma a GM, em um comunicado oficial.

O número de ações e o preço ainda não foram determinados.

Analistas acreditam que o Tesouro Americano venderá cerca de 20% das 304 milhões de ações da GM que possui, reduzindo sua participação na montadora para abaixo de 50%.

A demanda por ações da GM no mercado ainda é incerta. Os executivos da empresa começarão agora a tentar promover a venda das ações junto a investidores em todo o mundo.

A oferta pública acontece na mesma semana em que o diretor executivo da GM, Edward Whitacre, anunciou sua renúncia. Ele continuará na empresa até o fim do ano, quando passará o controle para Dan Akerson.

Whitacre assumiu a diretoria da GM no ano passado, um meio a planos de reestruturação da companhia em meio à crise econômica global. A GM demitiu 65 mil pessoas e fechou várias fábricas, no processo de reestruturação.

A GM já repagou US$ 8,4 bilhões dos empréstimos recebido pelos governos do Canadá e dos Estados Unidos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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