GM e Chrysler anunciam novas demissões, para reduzir custos

Companhias se esforçam para superar crise financeira, que bem provocando fortes quedas nas vendas do setor

Danielle Chaves e Ana Conceição, da Agência Estado,

23 de outubro de 2008 | 15h27

As montadoras norte-americanas General Motors e Chrysler anunciaram novas demissões nesta quinta-feira, 23, com o objetivo de reduzir ainda mais seus custos. As companhias estão se esforçando para superar a crise atual, que tem provocado fortes quedas nas vendas de automóveis, principalmente nos EUA e na Europa, e dificultando o acesso das empresas a crédito. Na Chrysler - que, segundo fontes, poderá ser vendida para a GM -, 1.825 funcionários deverão ser demitidos. Veja também:GM e Chrysler negociam fusão, diz o 'New York Times'Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  A GM informou em uma carta enviada a executivos que será forçada a demitir mais funcionários, mesmo depois que um número de trabalhadores maior do que o esperado aceitou os pacotes de demissão voluntária oferecidos pela empresa. A GM pretendia inicialmente reduzir sua força de trabalho em 15%, ou 5 mil funcionários. A companhia também vai reduzir os benefícios de seus empregados, incluindo a eliminação do pagamento dos planos de previdência tipo 401K, e fazer mudanças em outros planos de aposentadoria, de acordo com a carta assinada pelo executivo-chefe da montadora, Rick Wagoner, e pelo diretor-operacional, Fritz Henderson. "A crise de crédito global teve um impacto dramático sobre a indústria. Com isso, os mercados de veículos novos na América do Norte e na Europa Ocidental se contraíram severamente", diz a carta. "A perspectiva para a economia global permanece muito preocupante", disseram os dois executivos no documento. Na carta, a montadora informou que as demissões acontecerão entre o fim deste ano e o início de 2009. A Chrysler, por sua vez, anunciou que vai eliminar um turno na fábrica de Toledo e antecipar para 31 de dezembro o fechamento da unidade de Newark (previsto anteriormente para o fim de 2009), ambas nos EUA, após os prejuízos da empresa terem crescido para cerca de US$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. As medidas vão provocar a demissão de 1.825 trabalhadores, que provavelmente receberão pacotes de aposentadoria antecipada e de compra de ações da empresa. A situação atual da Chrysler tem gerado rumores de que seu controlador, o fundo de private equity norte-americano Cerberus Capital Management, vai vender partes ou toda a montadora. Especulações dão conta de que o Cerberus está entrando em contato com possíveis compradores, entre eles a própria GM. Ontem à noite, o presidente da Chrysler, Jim Press, negou os rumores sobre uma potencial fusão entre as duas montadoras, dizendo acreditar que existe "muita especulação, mas nenhuma fato concreto". Renault Também sofrendo com os problemas no setor, a Renault SA emitiu um alerta de lucro para 2008 em razão do enfraquecimento expressivo dos mercados europeus no segundo semestre deste ano, que está atingindo todas as montadoras da região. A empresa prevê que as vendas de automóveis na Europa registrem queda de 8% em 2008, ante 2007. A Renault, segunda maior montadora da França, anunciou uma revisão na margem operacional para 2,5% a 3% em 2008. A estimativa anterior era de 4,5% e tinha sido divulgada em 2006 pelo presidente e executivo-chefe, Carlos Ghosn, quando os planos para os quatro anos seguintes foram anunciados. A montadora reafirmou sua previsão anterior de que o volume de vendas deve crescer ligeiramente em 2008 na comparação com 2007, apesar da queda de 8% prevista para o mercado europeu de automóveis. A companhia informou receita de 9,15 bilhões de euros no terceiro trimestre deste ano, queda de 2,2% ante o mesmo período do ano passado. Após eliminar os efeitos de movimentos desfavoráveis do câmbio a queda é de apenas 0,3%.

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