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GM e Chrysler devem pedir mais dinheiro ao governo dos EUA

Ainda há receios de poucas saídas para o setor, sendo uma delas a concordata; empresas vão apresentar plano

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado

17 de fevereiro de 2009 | 14h02

As montadoras norte-americanas General Motors e Chrysler devem pedir mais dinheiro ao governo dos EUA depois de enviarem planos de reestruturação ao Departamento do Tesouro e, embora os planos tenham como objetivo demonstrar a proposta das empresas para se tornarem viáveis, ainda há receios de poucas saídas para o setor, sendo uma delas a concordata, segundo The Wall Street Journal. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  De acordo com os termos dos empréstimos federais concedidos às montadoras em dezembro, a GM e a Chrysler devem enviar os planos de reestruturação hoje até as 17h de Nova York (19h de Brasília) para James Lambright, diretor financeiro do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp). Os relatórios devem mostrar como elas estão utilizando o dinheiro dos contribuintes e como pretendem alcançar a viabilidade. Entre as medidas, espera-se que haja acordos com o sindicato para a redução de custos com mão de obra e acordos com detentores de títulos e outros credores para diminuir dívidas. Até o momento, a GM aceitou US$ 13,4 bilhões em empréstimos do governo e a Chrysler US$ 4 bilhões. A Chrysler disse que pretende obter um empréstimo adicional de US$ 3 bilhões. A GM deve dizer ao governo que precisa de mais dinheiro, caso contrário terá de pedir concordata.  De acordo com o deputado democrata Sander Levin, a administração Obama já sugeriu à GM que considere a possibilidade de eventualmente pedir concordata. "Foi solicitado que eles considerassem um pedido de concordata no plano, mas sem que esta seja uma das alternativas", disse Levin durante uma entrevista por telefone. "Isso foi o que eu entendi". Um porta-voz da GM não quis comentar o assunto. Pessoas familiarizadas com a questão disseram que as montadora está preparando um plano de concordata detalhado e não descarta mais esta opção. No fim de semana, o governo norte-americano desistiu de nomear um "czar dos carros" para supervisionar a reestruturação das montadoras e optou por montar uma força-tarefa para assumir esta função. O grupo será liderado pelo secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, e por Lawrence Summers, que dirige o Conselho Econômico Nacional, e será responsável por gerenciar os US$ 17,4 bilhões em acordos de empréstimos federais para as montadoras.  Pessoas familiarizadas com a proposta da força-tarefa, disseram que a administração Obama nomeou o ex-executivo do banco de investimentos Lazard Freres & Co., Ron Bloom, como conselheiro do Tesouro, e que ele ocupará uma posição imediatamente inferior às de Geithner e Summers na equipe. Bloom é formado em Harvard e foi funcionário de bancos de investimentos por 10 anos antes de integrar uma equipe de conselheiros do sindicato dos metalúrgicos norte-americano. Ele é visto como um dos principais arquitetos de uma consolidação da indústria de aço que envolveu 35 concordatas ao longo de algumas décadas e é conhecido como um comunicador curto e grosso.  Sob a batuta de Bloom, o sindicato dos metalúrgicos desistiu de parte dos salários, da estabilidade no emprego e dos benefícios numa tentativa de ajudar a indústria a se recuperar. Em alguns casos, milhares de empregos no setor foram perdidos quando os líderes sindicais aprovaram reduções em larga escala em empresas reestruturadas. Bloom também negociou benefícios para os membros do sindicato e para os aposentados depois que as siderúrgicas tornaram-se lucrativas.  Este tipo de solução pode ser aplicado também no caso das montadoras. De acordo com Wilbur Ross, um investidor bilionário que trabalhou com Bloom na reestruturação da indústria de aço, ele foi rígido com as empresas sem ser destrutivo e "provavelmente salvou os empregos de 100 mil metalúrgicos". Ross acrescentou que Bloom "negociou um contrato totalmente diferente que simplificou as regras de trabalho" e outras provisões sindicais.  Alan Reuther, diretor legislativo do sindicato dos funcionários de montadoras (UAW), disse que o órgão não acredita que a indicação de Bloom vai aumentar as chances de as montadoras pedirem concordata e o classificou como uma "pessoa muito brilhante e talentosa com grande experiência em reestruturação."  As pessoas que conhecem Bloom acreditam que ele será rigoroso com as montadoras, com o sindicato e com outras partes envolvidas na reestruturação.  "Os gerentes das montadoras provavelmente não vão gostar do que Ron Bloom vai dizer; o sindicato não vai gostar do que Ron Bloom tem a dizer; e certamente os acionistas e credores não vão gostar do que ele tem a dizer", disse Michael Psaros, um dos fundadores do KPS Capital Partners e antigo colega de trabalho de Bloom. Ele acrescenta que Bloom mostrou "repetidas vezes a habilidade para transformar as empresas em dificuldades em algo lucrativo". Pessoas familiarizadas com a força-tarefa dizem que o grupo também pode incluir Steven Rattner, um executivo financeiro de Nova York visto anteriormente como um dos nomes em potencial para assumir a função de czar dos carros, e a vice-diretora do Conselho Econômico Nacional, Diana Farrell. As informações são da Dow Jones.

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