Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

GM faz acordo com credores, mas não deve evitar concordata

Detentores de US$ 27 bilhões em títulos da montadora receberão até 25% de participação na ?Nova GM?

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

Um grupo de detentores de títulos da montadora General Motors entrou ontem em um acordo com o Tesouro americano. O acordo vai facilitar o processo de recuperação da empresa, que deve entrar com pedido de concordata até segunda-feira (dia 1º). Os detentores de US$ 27 bilhões em títulos vão receber até 25% de participação na companhia reestruturada, bem mais do que os 10% oferecidos anteriormente. Em troca, eles se comprometem a não contestar o plano de reestruturação a ser apresentado à Justiça. Isso deve ajudar a acelerar o processo de recuperação, que deve durar de 60 a 90 dias.O governo americano havia estabelecido um prazo até 1º de junho para a GM reduzir em US$ 44 bilhões seu endividamento, como forma de evitar a concordata. A montadora não conseguiu atingir essa meta e deve mesmo entrar em concordata, concentrando suas marcas mais valiosas, como Cadillac e Chevrolet, em uma nova empresa, que está sendo chamada de nova GM. A GM acumula US$ 88 bilhões em prejuízos desde 2004.O Tesouro americano daria mais cerca de US$ 30 bilhões em financiamento para a GM se reestruturar (já foram concedidos US$ 19,4 bilhões em empréstimos), e o governo canadense deve contribuir com mais alguns bilhões. O vice-presidente do conselho da GM, Robert Lutz, afirmou que uma concordata deve ser rápida. "Pretendemos entrar e sair muito rapidamente", disse ontem, em Detroit. "O governo americano quer seu dinheiro de volta e nosso objetivo é pagar o mais rápido possível. O governo americano não quer ser dono de montadoras."Lutz disse que a companhia pretende manter o controle total de suas operações na América Latina e na região Ásia-Pacífico. Ele afirmou que apenas uma parte dos ativos europeus do grupo será vendida no processo de reestruturação. As marcas europeias Opel, Vauxhall e Saab estariam incluídas na lista de operações à venda. A Fiat havia mostrado interesse nas operações da GM na América Latina, bem como nos ativos do grupo no Oriente Médio e África. A italiana fez uma oferta à Opel, mas concorre com o grupo Magna, do Canadá. Entretanto, as negociações para um resgate da Opel foram interrompidas após desentendimentos entre Berlim e Washington. Berlim se recusou a conceder um empréstimo-ponte para a Opel no caso de uma concordata.A concordata da GM será a terceira maior da história, atrás apenas da Lehman Brothers e WorldCom. A GM tem US$ 91 bilhões em ativos no mundo todo, e seu passivo é de US$ 176,4 bilhões.A Chrysler, que pediu concordata no dia 30 de abril, declarou ter US$ 39 bilhões em ativos.Na nova GM, inicialmente o Tesouro teria 72,5%, um fundo de assistência médica do sindicato teria 17,5% e os credores ficariam com 10%. Mas os detentores de títulos poderiam comprar mais 7,5% depois que a nova GM atingir o valor de mercado de US$ 15 bilhões. Depois que a montadora chegar aos US$ 30 bilhões, os credores podem exercer seu direito de ter mais 7,5% da montadora, chegando ao total de 25%. O sindicato, que inicialmente terá 17,5%, pode elevar sua participação para 20%, mas somente quando a GM estiver valendo US$ 75 bilhões.Quando o sindicato e os credores tiverem atingido suas participações máximas, o Tesouro estará com 55% da montadora.A GM deixou de ser a maior montadora do mundo no ano passado, quando foi ultrapassada pela Toyota, e não tem lucro desde 2004. As vendas vêm caindo há 18 meses consecutivos. A GM pretende eliminar a marca Pontiac, vender a Hummer e a Saturn e romper contrato com 2,4 mil concessionários até o fim de 2010. A Saab está em concordata na Suécia e a Opel está à venda na Europa.CHRYSLER A Chrysler deve sair da concordata já semana que vem, concretizando o "processo relâmpago" prometido pelo governo americano.COM AGÊNCIAS INTERNACIONAISNÚMEROSUS$ 44 bié o valor estabelecido pelo governo dos EUA para a redução do endividamento da GM até o dia 1ºUS$ 88 bié o valor do prejuízo acumulado pela GM desde 2004US$ 91 bié o total de ativos da GM no mundo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.