GM fecha a venda da Opel à Magna

Fabricante canadense de autopeças, junto com a russa Sberbank, vai assumir o controle da filial europeia da GM

BERLIM, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Após um longo período de negociações e indecisão, a General Motors anunciou que decidiu vender o controle da sua subsidiária europeia Opel ao consórcio formado pela fabricante de autopeças canadense Magna International e o grupo financeiro russo Sberbank. O consórcio ficará com 55% das ações da empresa, enquanto a GM manterá uma fatia de 35% e outros 10% ficarão com os empregados da companhia.

O acordo havia sido inicialmente acertado em maio, mas o surgimento de novas propostas, como a do grupo belga RHJ International, acabou atravancando as negociações. Nesse meio tempo, a própria GM americana saiu da concordata e começou a apresentar sinais de recuperação, passando a cogitar manter o controle da subsidiária.

Os termos financeiros do acordo não foram revelados. Mas é certo que o governo alemão vai financiar a maior parte da reestruturação da companhia - o pedido da Magna chegava a 4,5 bilhões. O consórcio comprador havia prometido, na proposta inicial, investir outros 850 milhões na empresa.

A chanceler alemã Angela Merkel, que deve ser reeleita para o cargo em menos de três semanas, foi rápida em assegurar crédito para agarrar o acordo potencialmente salvador de empregos, apesar de às vezes ter se mostrado cética sobre as iniciativas de salvamento de empresas pelo governo durante a crise econômica e financeira iniciada no ano passado.

A GM ressaltou, no entanto, que ainda precisa do acordo com os sindicatos - por escrito - para a reestruturação das quatro fábricas da Opel na Alemanha, que empregam quase a metade dos 55 mil funcionários europeus da GM Europe. O poderoso sindicato dos metalúrgicos da Alemanha, o IG Metall, comunicou que esperava negociações "duras".

LOBBY

O apoio de Angela Merkel foi fundamental para que o negócio fosse fechado. Numa medida atipicamente arriscada, ela jogou todo seu peso em apoio à Magna, que havia prometido conservar a maioria dos empregos na Alemanha. Seu governo fez também um pesado lobby em Washington, embora autoridades americanas tenham dito que o presidente Barack Obama não queria ser arrastado para as negociações, apesar da participação de 60% do governo americano na fabricante automotiva resgatada.

O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, que por muito tempo vem considerando o desenvolvimento da atrasada indústria automobilística da Rússia um objetivo estratégico, também apoiou a Magna e o Sberbank desde o começo. O controle da produção da Opel na Rússia seria assumido pela GAZ, uma fabricante automotiva pertencente ao oligarca russo Oleg Deripaska, que é próximo do Kremlin.

A GM tinha reservas sobre a conexão russa, temendo que direitos de propriedade intelectual e outras licenças não seriam respeitados. Mas John Smith, o principal negociador da GM, disse ontem em Berlim que essas questões haviam sido resolvidas.

Segundo ele, o acordo seria fechado "em novembro ou dezembro". Isso seria bem depois das eleições alemãs, nas quais o desemprego crescente seria uma questão de peso. "Por enquanto, considero justo dizer que, de alguma forma, todas as quatro unidades alemãs continuarão operando", disse.

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