GM gastará US$ 300 milhões com recalls após morte de motoristas

Na tentativa de recuperar a credibilidade, a montadora convocou três novos recalls nos Estados Unidos nesta segunda-feira

Economia & Negócios,

17 de março de 2014 | 15h33

Na tentativa de recuperar a credibilidade sobre o quesito segurança - depois da acusação de atraso de um recall que teria causado mortes de motoristas -, a General Motors anunciou nesta segunda-feira, 17, o recall de mais três modelos fabricados nos Estados Unidos, no total de 1,5 milhão de veículos.

Na nota divulgada hoje, a GM diz que está redobrando seus esforços sobre segurança. O recall anunciado hoje pela GM envolve 1,18 milhão de veículos esportivos utilitários Buick Enclave e GMC Acadia fabricados entre 2008 e 2013, Chevrolet Traverse dos anos de 2009 a 2013 e Saturn Outlook de 2008 a 2010.

Além desses, o recall inclui 63,9 mil sedãs Cadillac XTS produzidos entre 2013 e 2014 e 303 mil vans Chevrolet Express e GMC Savana fabricadas entre 2009 e 2014.

Apesar de relatos de incêndios no compartimento do motor em dois sedans Cadillac XTS, a empresa disse que não recebeu relatos de acidentes ou lesões ligadas aos três novos recalls.

A executiva-chefe da montadora, Mary Barra, declarou em um vídeo para os funcionários que "algo deu errado no processo e coisas terríveis aconteceram" e informou que novas medidas serão colocadas em prática para mudar o processo de recall. As concessionárias poderão começar a pedir as peças para substituição em 7 de abril.

O anúncio do recall e o vídeo fazem parte de uma tentativa mais ampla da GM de mostrar a consumidores, órgãos reguladores e parlamentares que a companhia está assumindo seus erros e está determinada a consertar os problemas que levaram a empresa a esperar quase uma década para trocar as peças defeituosas relacionadas a 12 mortes nos EUA.

Gasto. Ao todo, a General Motors anunciou que terá uma despesa de US$ 300 milhões no primeiro trimestre deste ano para cobrir custos relacionados aos recalls de automóveis nos EUA.

Esse montante inclui os recall anunciados hoje e também a convocação de 1,6 milhão de veículos feita em fevereiro para reparo de defeito no cilindro da ignição. A empresa é acusada de adiar este recall, pois tinha conhecimento da falha há anos. Advogados das famílias das vítimas afirmam que a demora em tomar providências teria acarretado cerca de 300 mortes.

Órgãos reguladores de segurança, dois comitês do Congresso norte-americano e o Departamento de Justiça estão investigando o atraso no recall. Um comitê do Senado pretende realizar uma audiência em abril sobre o caso. "Como membro da família GM e como mãe, isso realmente me atinge", disse Mary Barra. "O resumo é que seremos melhores por causa dessa situação se aproveitarmos a oportunidade", acrescentou.

A Administração Nacional de Segurança no Tráfego em Rodovias quer que a GM responda 107 perguntas até o dia 3 de abril relacionadas aos eventos que levaram ao recall. A montadora pode ser multada em até US$ 35 milhões. O órgão regulador, por sua vez, está sendo criticado por não ter exigido um recall mais cedo. (Com informações da Dow Jones Newswires e da Reuters)

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