NILTON FUKUDA/Estadão
NILTON FUKUDA/Estadão

GM oferece até carro para quem aderir ao programa de demissão voluntária

Além de salários extras, a empresa oferece um automóvel Prisma, que custa cerca de R$ 45 mil, para quem aderir ao pacote e deixar a companhia

Cleide Silva, Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2015 | 15h26

Atualizado às 22h40

Para atrair trabalhadores ao programa de demissão voluntária (PDV) aberto nesta segunda-feira e com término previsto para o dia 10, a General Motors (GM) inovou no pacote de benefícios. Além de salários extras, a empresa oferece um automóvel Prisma, que custa cerca de R$ 45 mil, para quem aderir ao pacote e deixar a companhia. Essa oferta é direcionada aos trabalhadores que têm restrições médicas, informa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Aparecido Inácio da Silva.

O PDV para esses funcionários inclui também até 24 salários extras dependendo do tempo de casa (além dos direitos da rescisão de contrato) e dois anos de plano de assistência médica. A direção da GM não quis comentar sobre os benefícios do plano de saídas incentivadas.

Para trabalhadores prestes a se aposentar, a GM banca o período que falta para a aposentadoria, no limite de até 12 meses. Já para os demais trabalhadores, o pacote prevê cinco salários a mais aos que aderirem. “Estamos vivendo um caos”, afirma Silva.

A Volkswagen também está com um PDV, que oferece de cinco a 25 salários extras a quem aderir, dependendo do tempo de trabalho, da área de atuação e da proximidade da aposentadoria. Os maiores benefícios também são para trabalhadores prestes a se aposentar. O programa foi aberto no mês passado após um acordo entre empresa e trabalhadores depois de uma greve de nove dias contra 800 demissões aleatórias

Fábricas afetadas. O PDV da GM irá afetar as fábricas de São José dos Campos e São Caetano do Sul e, segundo a montadora, a medida tem como objetivo "adequar a produção à atual demanda do mercado". A empresa não divulgou, contudo, detalhes do número de funcionários que o programa pretende atingir entre os dias 2 e 10 de fevereiro.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José informou que os trabalhadores foram comunicados da decisão nesta segunda-feira. Em nota, a entidade se diz contrária ao PDV, avaliando que a medida é "desnecessária" na unidade de São José dos Campos. O sindicato cobra do governo federal aprovação de medida provisória que garanta estabilidade no emprego na indústria e a redução da jornada de trabalho de 40 para 36 horas semanais.

Lay-off. No dia 15 de janeiro, a GM informou que mais 100 funcionários da fábrica de São Caetano do Sul entrariam em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) por três meses, a partir do dia 19 de janeiro. Com isso, a unidade passou a ter quase mil trabalhadores afastados, uma vez que os contratos de 850 funcionários já estavam suspensos desde novembro.

Na planta de São José dos Campos, os contratos de 930 trabalhadores estão suspensos desde 8 de setembro. A volta deles do lay-off está prevista para esta quinta-feira. De acordo com o sindicato dos metalúrgicos da região, na unidade trabalham cerca de 5,3 mil funcionários, que produzem 300 unidades modelos S10 e Trailblazer por dia, além de motores e transmissão.

Paralisação na Ford. A Ford anunciou há pouco que deverá paralisar a produção de automóveis e caminhões na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, na semana do carnaval. A paralisação ocorrerá entre 16 e 20 de fevereiro para "adequar" a produção à demanda. Segundo a assessoria de imprensa da montadora, o setor administrativo da fábrica continuará trabalhando nos dias úteis. A assessoria informou que não há previsão de paradas na unidade de Camaçari, na Bahia.

Com o anúncio, a Ford se junta a outras montadoras que, diante das fracas projeções para o setor, estão dando folga extra no carnaval, bem como nova rodada de férias coletivas e programas de demissão voluntária (PDVs).

Na MAN Latin América em Resende (RJ), fabricante de caminhões da Volkswagen, trabalhadores da produção terão folga entre os dias 13 e 18 de fevereiro. A montadora também negocia com trabalhadores de 10 a 20 dias de férias coletivas. Na unidade da GM de São Caetano do Sul, a produção também será paralisada durante a semana do carnaval.

Volkswagen. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, a entidade está em conversa com a montadora para evitar um possível fechamento do terceiro turno na unidade, que emprega aproximadamente 1,4 mil trabalhadores.

Um acordo de estabilidade feito entre a empresa e o sindicato garante a estabilidade dos empregos até 18 de fevereiro. Procurada pela reportagem, a montadora disse que não vai comentar o caso. / COLABOROU GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

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