GM pode demitir 819 pessoas no ABC

Empresa informou ao sindicato a intenção de dispensar pessoal que está em lay-off; Mercedes-Benz tem planos de fazer 500 cortes

IGOR GADELHA, CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2015 | 02h03

A General Motors pretende demitir os 819 metalúrgicos que deveriam voltar do lay-off (suspensão temporária dos contratos) em 9 de junho e colocar em férias coletivas os cerca de 6 mil trabalhadores da linha de produção da fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista.

Outra montadora da região, a Mercedes-Benz, também anunciou que vai dispensar, até o fim do mês, 500 trabalhadores que estão em lay-off há um ano na fábrica de São Bernardo do Campo. Se os cortes forem efetivados, 1.319 vagas serão fechadas nas próximas semanas só nas duas fábricas da região.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, em reunião ontem com a direção da GM não houve acordo para evitar os cortes. As partes voltam a se encontrar na terça-feira. A empresa não se pronunciou sobre o assunto.

No caso da Mercedes, haverá nova reunião na tentativa de um acerto na segunda-feira. Essa é a segunda tentativa da montadora em demitir esse pessoal. Da outra vez, em abril, os funcionários entraram em greve e o corte foi suspenso. A empresa abriu um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para tentar atrair esse pessoal, mas houve poucas adesões.

No dia 1.º de junho, todos os 7 mil trabalhadores da produção da Mercedes entrarão em férias coletivas por cerca de 15 dias. Somando pessoal administrativo, a empresa tem 10,5 mil pessoas no ABC e afirma ter 1.750 trabalhadores excedentes, além dos 500 que devem sair.

Segundo Silva, a proposta da GM é para que as férias coletivas comecem no dia 8 ou 15 de junho e durem de 16 a 20 dias. "Estamos negociando com a empresa para ver se ela troca essas férias por day-off, quando os funcionários ficam em casa durante alguns dias da semana, mas recebem salário integral, sem prejuízo nas férias".

Caso as demissões se confirmem, será o segundo corte realizado pela GM em São Caetano em pouco mais de um mês. No dia 8 de maio, a montadora demitiu 150 metalúrgicos.

Na fábrica, que emprega ao todo 11 mil pessoas, incluindo os administrativos, há outros 900 operários em lay-off desde segunda-feira, com volta prevista para outubro. Na filial de São José dos Campos (SP) há 798 trabalhadores em lay-off.

Guarani. A Iveco, empresa do grupo Fiat, pode paralisar temporariamente as atividades da fábrica de Sete Lagoas (MG) que produz o veículo blindado Guarani para o Exército. A unidade emprega 300 trabalhadores diretos, mas há outros 1,2 mil indiretos envolvidos na atividade.

A empresa informou que depende da definição de encomendas do Exército para manter as atividades. Os cerca de 35 blindados encomendados até o momento já foram entregues.

A definição do que fazer com os empregados será negociada com o Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, informou a empresa. A fábrica foi inaugurada há dois anos e tem capacidade para 120 blindados por ano.

No mesmo complexo funciona a fábrica de caminhões da marca, que tem 200 empregados - de um total de 3,5 mil - trabalhando apenas três dias por semana desde abril.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caíram 19,2% no primeiro quadrimestre em relação ao mesmo período de 2014.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.