GM quer 968 empregados em lay-off

Contrato de trabalho será suspenso por cinco meses na fábrica de São José dos Campos (SP); sindicato convocou assembleia para terça

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 02h05

A direção da General Motors confirmou que pretende suspender temporariamente por cinco meses os contratos de trabalho de 968 funcionários da fábrica de São José dos Campos (SP) para adequar a produção ao menor ritmo de vendas de veículos. A montadora ofereceu garantia de emprego também de cinco meses aos funcionários quando retornarem do lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho).

Em São José dos Campos, a GM produz motores, conjuntos de transmissão, a picape S10 e o utilitário Trailblazer.

A montadora enviou carta ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos oficializando a intenção de colocar o grupo em lay-off. O sindicato convocou para terça-feira uma assembleia para decidir se a proposta será aceita ou não.

"Não somos a favor do lay-off, achamos que é muita gente que eles querem colocar nessa condição", disse o diretor do sindicato, Adilson dos Santos. Segundo ele, a montadora não detalhou em qual linha os trabalhadores terão o contrato de trabalho suspenso. A fábrica da GM tem 5,3 mil funcionários.

Ameaça. Há uma semana a direção da fábrica entregou um comunicado aos funcionários alertando da possibilidade de demissões caso o lay-off não seja aprovado. Procurada, GM não confirmou o envio do comunicado nem deu detalhes sobre o lay-off.

Na última quinta-feira, a presidente mundial da GM, Mary Barra, entregou à presidente Dilma Rousseff, em Brasília, um plano de investimentos de R$ 6,5 bilhões no País. Os recursos serão aplicados entre 2014 e 2018. A cifra é recorde para um período quinquenal.

Para frustração do sindicato, a unidade de São José não foi contemplada no plano de investimentos. Desde 2013, o sindicato aguarda a confirmação de um investimento de R$ 2,5 bilhões para a produção de uma nova família de carros compactos, em tese os substitutos do Celta e do Classic.

"Estamos cobrando que o acordo sobre investimentos seja cumprido", disse Santos. Segundo ele, por um acordo fechado com o sindicato em 2013, a montadora teria se comprometido a investir na fábrica de São José dos Campos.

Na semana passada, o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, disse que o projeto de fabricar uma família de carros compactos não estava pronto. Por isso, a fábrica teria ficado fora do pacote de investimentos. A GM ainda não conseguiu tornar viável um carro compacto de R$ 30 mil.

Também estão com programas de lay-off Ford (Taubaté), MAN (Resende), Mercedes-Benz (São Bernardo do Campo e Juiz de Fora) e Volks (São Bernardo e Paraná).

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