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GM quer crescer no Brasil, mas sem pressa

Novo presidente diz que venda de carros no País pode aumentar quase 17% em 2008, mas critica euforia

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O novo presidente da General Motors no Brasil, o colombiano Jaime Ardilla, de 52 anos, conhece bem o País. Como diretor financeiro da GM para a região da América Latina, Oriente Médio e África, ele assinou muitos cheques para cobrir os prejuízos da filial brasileira. Agora sua missão será diferente. "Eu já trouxe muito dinheiro para o Brasil. Agora estamos devolvendo", diz Ardilla.Ardilla assume a presidência da GM numa situação muito mais confortável que seu antecessor, Ray Young. Em 2004, Young chegou ao Brasil num momento crítico, para tentar reverter seis anos de prejuízos. No ano passado, a GM brasileira voltou a dar lucro. E 2007 tem sido ainda melhor. Do início do ano até agora, a região da qual o Brasil faz parte lucrou US$ 754 milhões, um crescimento de 86% em relação ao mesmo período de 2006.A missão de Ardilla é mais fácil, porém mais importante que a de Young. Em meio a mais grave crise de sua história - a GM acaba de divulgar um prejuízo trimestral de US$ 39 bi -, a empresa montou uma estratégia que dá maior peso ao Brasil."O plano é estabilizar nos EUA e crescer em países emergentes. O Brasil é o terceiro maior mercado da GM", diz Young, que foi promovido a vice-presidente mundial de finanças, para ajudar dois executivos que passaram pelo Brasil, o diretor financeiro, Fritz Henderson, e o CEO, Rick Wagoner, a resgatar a empresa.Pelas contas de Ardilla, o mercado brasileiro vai crescer muito. As montadoras devem vender entre 2,6 milhões e 2,8 milhões de carros no País no ano que vem - contra 2,4 milhões em 2007. As exportações devem ser de 700 mil unidades. A produção ficaria entre 3,2 milhões e 3,3 milhões de veículos. Assim como seu antecessor, Ardilla aposta nas vendas no mercado interno. "Se não tivéssemos compromissos lá fora, toda produção seria vendida aqui", diz Ardilla. Além de o mercado estar aquecido no Brasil, o câmbio não está ajudando as exportações. E a GM aposta que tão cedo a situação não vai mudar. "O câmbio teria de estar muito arriba de dois para valer a pena exportar", disse Ardilla, ainda misturando o espanhol com o português.A aposta no mercado interno é uma das explicações para os bons resultados obtidos por Young no Brasil. "Graças a Deus reduzimos as exportações e focamos no mercado interno", diz Young. Outra mudança importante na sua gestão foi trazer de volta o que ele chama de "DNA da GM". Especializada em carros grandes, a GM até investiu em modelos menores, como o Celta, seguindo a onda de modelos populares no Brasil. Mas agora os modelos típicos da vocação da GM voltaram a ganhar espaço em seu portfólio. "As vendas dos nossos modelos populares cresceram 5% este ano. Já as dos modelos Chevrolet que não são populares aumentaram 53%", diz Young. Carros populares, diz Young, não dão lucro.A GM acaba de bater seu recorde anual de produção - que era de 410 mil veículos em 2006 - e estuda como aumentar o ritmo de suas fábricas. Hoje, as três fábricas da montadora trabalham em dois turnos. A GM quer aumentar a produção sem abrir o terceiro turno - que traz problemas, como a falta de tempo para fazer manutenção nos equipamentos. Caberá a Young, na matriz, decidir se um investimento extra de US$ 500 milhões pedido há alguns meses, por ele mesmo, na filial, será atendido. Outros US$ 500 milhões já foram confirmados. "A situação do Brasil é muito favorável. O País tem boas chances de conseguir esse investimento", diz Young.Embora estejam confiantes no Brasil, Ardilla e Young tentam conter o otimismo. "Se aprendi alguma coisa no Brasil é que é impossível prever o futuro", diz Young. É por isso que eles vêem com desconfiança o fato que alguns bancos já falarem em financiar a compra de carros em 99 meses. "Temos a missão de aumentar a produção, mas de maneira consistente", diz Ardilla. "Um crescimento de 20% a 30% ao ano não é sustentável a longo prazo."

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