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GM quer incentivos do governo para trazer projeto de R$ 2,5 bi para o País

A General Motors quer incentivos do governo do Estado e da Prefeitura de São José dos Campos, além de um acordo com trabalhadores, para aprovar um investimento de R$ 2,5 bilhões na produção de um novo carro na unidade do Vale do Paraíba.

CLEIDE SILVA/ SÃO PAULO, GERSON MONTEIRO/S.J.CAMPOS, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h08

Segundo o diretor de relações institucionais da GM, Luiz Moan, trata-se de uma concorrência internacional que será definida pela matriz americana, e a unidade do Vale precisa ser competitiva para disputá-la.

Sem revelar nomes, Moan disse que há fábricas do grupo em outros dois países na disputa pelo projeto, que envolve um carro global com chances de ser exportado. "Só posso dizer que três continentes concorrem."

Segundo Moan, "essa é a última possibilidade de investimento em São José e, portanto, vital para salvar o complexo inteiro". Ele assumiu esta semana a presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Recentemente, a GM dispensou 600 trabalhadores, além de cerca de outros 400 que aceitaram um programa de demissão voluntária. A fábrica do Vale opera com grande ociosidade após o fim da produção, no ano passado, dos modelos Corsa, Meriva e Zafira. Hoje, a unidade de automóveis, chamada de MVA, produz apenas o Classic, mas essa linha deve ser desativada no fim do ano.

Os veículos que substituíram esses três modelos estão sendo produzidos nas fábricas de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS). A empresa alegou falta de acordo de flexibilização nas relações trabalhistas com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, o que afastou novos investimentos na unidade.

Custos. No dia 6, Moan vai se reunir com dirigentes sindicais para debater a redução dos custos da mão de obra. Do governo estadual e da Prefeitura, a GM espera estímulos fiscais - como isenção de impostos - e infraestrutura, como melhoria no acesso à fábrica, que fica à margem da Rodovia Presidente Dutra.

O complexo todo, onde também são produzidos S10, Trailblazer e motores, emprega cerca de 7 mil trabalhadores.

"Para ganharmos o projeto temos de provar que somos competitivos", insistiu Moan. A GM quer apresentar as condições da filial de São José de disputar o projeto até o fim de maio e a decisão da matriz deve ser anunciada em junho.

Se for aprovado, o investimento de R$ 2,5 bilhões será feito pela própria subsidiária brasileira. Segundo Moan, embora o Brasil gere recursos, é a matriz quem define seu destino.

Esse programa fará parte de um plano maior de investimento para os próximos cinco anos que será anunciado nos próximos meses.

Moan não dá detalhes sobre o novo carro global, mas uma possibilidade é um subcompacto que disputaria mercado com o Volkswagen up! - que será lançado no segundo semestre -, e outros modelos desse segmento que as demais montadoras estão desenvolvendo, entre os quais o substituto do Mille, da Fiat, e o novo Ka, da Ford.

O presidente da GM do Brasil e América do Sul, Jaime Ardila, tem dito que esse carro compacto só será viável se tiver preço na faixa de R$ 25 mil.

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