Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

GM quer redução de 30% no piso salarial de trabalhadores do interior de SP, diz sindicato

Montadora apresentou proposta com "redução drástica de direitos" como condição para investir na unidade de São José dos Campos; nova reunião com executivos da empresa está marcada para a tarde desta quarta-feira

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 11h03

Após sinalizar que pode deixar o Brasil depois de anos de prejuízo, a GM apresentou proposta a trabalhadores da fábrica de São José dos Campos na qual pede uma "redução drástica de direitos" como condição para realizar novos investimentos na unidade.

A proposta envolve uma redução de 30% no piso salarial, de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil por mês, informou ao  Estadão/Broadcast nesta quarta-feira, 23, o vice-presidente do sindicato dos metalúrgicos da região, Renato Almeida.

Além disso, o sindicato já havia divulgado em nota que a montadora quer aumento da jornada de trabalho, adoção do banco de horas, liberação da terceirização em toda a fábrica, fim do transporte fretado, jornada intermitente e fim da estabilidade de emprego para lesionados.

Ao todo, a GM faz 28 reivindicações, que só foram apresentadas aos trabalhadores do turno da manhã. Os detalhes só serão divulgados pelo sindicato após os trabalhadores da tarde serem apresentados à proposta. O sindicato se posiciona contra os pedidos, mas afirma que a decisão é dos trabalhadores. Uma reunião com os executivos da GM ocorrerá na tarde desta quarta-feira.

"Os trabalhadores ficaram indignados com a proposta da GM. O sindicato é contra a retirada de direitos e continuará com o processo de negociação, mas a decisão final caberá aos trabalhadores. Queremos tratar do assunto com total transparência e dando continuidade à luta por empregos e direitos", disse Almeida.

A empresa também está em negociação com os funcionários da fábrica de São Caetano do Sul. Uma proposta será apresenta ao sindicato dos metalúrgicos da região ainda na manhã desta quarta.

Enquanto isso, a montadora realiza negociações com o governo do Estado de São Paulo, com concessionárias e com fornecedores. Segundo sindicalistas, a negociação com o governo estadual está adiantada. As conversas envolvem a antecipação de créditos no ICMS. 

A crise na GM começou na sexta-feira passada, quando o presidente da montadora para a região do Mercosul, Carlos Zarlenga, distribuiu aos funcionários comunicado alertando para "o momento muito crítico" que vive a empresa. Ele informou que a empresa teve prejuízo significativo no Brasil nos últimos três anos, resultado que "não pode se repetir".

O comunicado reproduziu matéria publicada pelo jornal Detroit News, sobre recente declaração da presidente mundial da GM, Mary Barra, em que ela deu sinais de que a empresa considera sair da América do Sul. "Não vamos continuar investindo para perder dinheiro", disse.

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