Javier Lira Otero/AFP
Javier Lira Otero/AFP

GM terá mais uma americana no comando

Depois de Denise Johnson, grupo indica Grace Lieblein para presidência no Brasil

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

Quase dois meses após a saída de Denise Johnson da presidência da General Motors - a primeira mulher a comandar uma montadora no País -, a companhia anunciou ontem que outra executiva assumirá o cargo. Grace Lieblein, de 50 anos, presidente da GM do México, assumirá o posto em 1.º de junho.

Como a antecessora, que ficou no País apenas oito meses, Grace é formada em engenharia, teve a carreira construída na própria montadora e o pai trabalhou na indústria automobilística.

Filha de uma nicaraguense e de um cubano, Grace nasceu em Los Angeles, Estados Unidos. Começou a trabalhar na GM em 1978, como estagiária na divisão de montagens, e passou por vários cargos. Foi diretora da engenharia de design da divisão de automóveis na América do Norte, liderou a criação do programa de manufatura global e o desenvolvimento de veículos como Buick Enclave, GMC Acadia, Saturn Outlook e Chevrolet Traverse, nenhum deles vendido no Brasil.

Grace recebeu diversos prêmios, incluindo o de Executiva Latina do Ano de 2006. Também foi incluída na lista das 50 principais mulheres executivas nos EUA e na das 100 lideranças femininas na indústria automobilística americana.

Passou a presidir a GM do México em dezembro de 2008. Em seu lugar, no México, assumirá o vice-presidente Ernesto Hernandez. No Brasil, Grace vai se reportar a Jaime Ardila, antecessor de Denise e hoje presidente da GM América do Sul, que assumiu interinamente a operação brasileira.

Em comunicado divulgado ontem, Ardila afirmou estar feliz "em contar com a liderança da Grace nesse momento tão importante para a GM do Brasil, de colocar em prática os planos que conduzirão a empresa em direção ao futuro".

Segundo Ardila, "com seus sólidos e amplos conhecimentos de engenharia e de desenvolvimento de produtos, combinados com fortes características de negócios, Grace é o tipo de pessoa que poderá assegurar que a GM continue inovando, de forma a desenhar, fabricar e vender veículos de classe mundial que atendam as expectativas de nossos clientes".

Casada com um engenheiro, que a acompanhará ao País, Grace tem uma filha que cursa a universidade nos EUA. Em entrevista a publicações americanas, Grace afirmou que escolheu uma carreira não muito tradicional para mulheres, a de engenharia automotiva, porque tinha aptidões com matemática e ciências e sempre teve suporte da família.

"Meus pais sempre me disseram que eu poderia ser o que quisesse", disse. Mas ressalta que teve de perseverar muito para conquistar credibilidade. "Uma vez conquistada (a posição), as pessoas não a veem mais como uma mulher, mas como uma boa líder ou uma boa engenheira."

Ela contou que o pai fugiu de Cuba no início do governo de Fidel Castro e, mesmo em momentos difíceis, sempre priorizou sua educação. Ela é bacharel em Engenharia Industrial pela Universidade de Kettering e mestre em Gerenciamento pela Universidade de Michigan.

Recuperação. Grace chega ao comando da GM brasileira num momento em que a subsidiária brasileira recupera mercado. Quando Denise deixou a empresa, alegando motivos pessoais, a marca estava com 17,8% de participação nas vendas nacionais, depois de permanecer 2009 e 2010 com uma fatia de 20%.

Neste mês, a marca já vendeu 29,4 mil veículos e está em segundo lugar em vendas no País, com 19,7% de participação, à frente da Volkswagen, com 17,9% (26,7 mil). No acumulado do ano, a marca segue em terceiro lugar, com vendas de 172,1 mil veículos e 18,6% de participação. A Volkswagen tem 20,9% (193,7 mil). A Fiat lidera as duas listas.

PONTOS-CHAVE

Nova divisão

O colombiano Jaime Ardila comandou a GM do Brasil de novembro de 2007 a junho de 2010, quando assumiu a operação da América do Sul, criada após a reestruturação mundial. Investimento

A GM está investindo R$ 5 bilhões no País entre 2008 e 2012 para renovar toda sua linha de carros. Uma nova fábrica de motores será inaugurada em Florianópolis (SC). Breve passagem

Denise Johnson, de 44 anos, assumiu a GM do Brasil em 1º de julho e 8 meses depois deixou a companhia, onde trabalhava havia 21 anos, alegando motivos pessoais.

Aceleração

A fábrica da GM de São Caetano do Sul, no ABC paulista, vai operar em três turnos a partir de junho. A produção será ampliada de 200 mil para 280 mil veículos ao ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.