Roosevelt Cassio/Reuters
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GM vai colocar em lay-off 1,2 mil trabalhadores da linha de produção da picape S10

General Motors é a quarta montadora a adotar a medida nas últimas semanas por causa da falta de semicondutores; dispensa será na fábrica de São José dos Campos (SP)

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2021 | 15h26

A A General Motors vai colocar até 1,2 mil trabalhadores em lay-off (suspensão de contratos) na fábrica de São José dos Campos (SP), e reduzir a equipe que produz a picape S10 de dois para um turno.

O motivo é a falta de semicondutores, problema que continua afetando a indústria automobilística do mundo todo desde o fim do ano passado e que tende a se manter pelo menos até metade de 2022.

A dispensa dos funcionários deve durar de dois a cinco meses, diz o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. A GM informa estar discutindo com o sindicato alternativas para mitigar o impacto e proteger os empregos.

Só na produção da S10 há 2,2 mil trabalhadores. Ao todo, a fábrica que também produz o SUV Trailblazer e motores emprega 3,8 mil funcionários.

A GM é a quarta montadora, nas últimas semanas, a adotar o lay-off por causa da falta de chips. Antes, a fábrica de Gravataí (RS) ficou fechada por quase cinco meses, e a de São Caetano (SP) por dois meses.

A Volkswagen vai dispensar temporariamente 1,5 mil trabalhadores da unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP) a partir de 1º de novembro, também por dois a cinco meses. Nesse período a fábrica terá apenas um turno. A empresa já tem outros 450 trabalhadores afastados por esse sistema desde o início da pandemia.

A Fiat adotou a suspensão de contratos para 1,8 mil operários de Betim (MG) por três meses a partir deste mês. Já a Renault colocou em lay-off 300 funcionários da fábrica de São José dos Pinhais (PR). A medida vale por cinco meses e teve início no fim de setembro.

A Renault abriu ainda um programa de demissão voluntária (PDV) para 250 pessoas, mesma opção da Honda em Sumaré e Itirapina (SP), mas não divulgou meta de adesão.

Em nota divulgada na tarde de ontem, a GM afirma que a cadeia de suprimentos da indústria automotiva tem sido impactada globalmente pelas paradas de produção durante a pandemia e pela recuperação do mercado mais rápida do que o esperado.

“Isso vai afetar de forma temporária nosso cronograma de produção na fábrica de São José dos Campos e teremos de reduzir a produção para um turno”, informa a empresa. Hoje, a empresa apresenta uma nova versão da S10, off-road. 

Assembleia ocorre amanhã

A entidade realização assembleia com os trabalhadores amanhã, 26, para discutir o tema. No dia seguinte, haverá novo encontro com representantes da GM, que  apresentará as condições e período do lay-off.

“Para o sindicato, qualquer medida tem de estar cercada de proteção ao emprego e aos direitos dos trabalhadores. Vamos levar essa discussão para a assembleia”, afirma o vice-presidente da entidade, Valmir Mariano.

 

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