GM vai demitir 808 funcionários em São Caetano

A General Motors vai demitir 808 funcionários da fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista, onde são fabricados o antigo Corsa, Astra e Vectra. A montadora informou nesta segunda-feira ao Sindicato dos Metalúrgicos local que vai acabar com o segundo turno de trabalho, o que motivará os cortes. Amanhã, representantes da montadora se reúnem com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, interior de São Paulo e pode anunciar novos cortes. A fabricante de caminhões Scania, de São Bernardo do Campo, também enviou cartas a 70 funcionários que estão em licença remunerada avisando de suas demissões. Hoje, o Sindicato dos Metalúgicos do ABC realizará assembléia na fábrica para tentar reverter os cortes. Em São Caetano, o presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, prometeatrasar a entrada de parte do pessoal da produção por duas horas epromover manifestação na avenida Goiás, a mais movimentada domunicípio.Trabalham no segundo turno 1,650 trabalhadores. Parte será transferida para outras áreas. ?Queremos um encontro com o presidente da GM (Walter Wieland) pois temos propostas para evitar os cortes, como a adoção de banco de horas, licença remunerada ou mesmo o lay off (dispensa temporária)?, disse Silva. Se a empresa não quiser negociar, ele pretende organizar uma greve a partir do dia 22. Entre os pessoal a ser demitido, 700 são funcionários fixos e 108 têm contratos temporários que vencem no dia 28.Em São José, há outros 600 temporários que também não deverão ter os contratos renovados. Desde junho, a GM demitiu cerca de 700 trabalhadores nas duas fábricas, além de anunciar dois períodos de férias coletivas. O próximo começa no dia 29 e vai até o dia 7 de agosto, envolvendo perto de 7 mil pessoas. A direção da montadora não quis comentar o assunto, alegando estar em discussão com o sindicato.As montadoras de veículos acumulam neste ano queda de 17% nas vendas e a maioria delas já adotou medidas como férias coletivas e licença. A Volkswagen oprtpu por operar apenas quatro dias por semana nas fábricas de São Bernardo e Taubaté em agosto. Em junho, o número de carros emplacados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) caiu 12,4% em relação a maio. Entre as cinco maiores fabricantes, a GM teve o pior desempenho, com queda de 17,2%.De acordo com Silva, a montadora informou ter 22 mil carros em estoque na fábrica e na rede de concessionários, mas os próprios lojistas acreditam que o número seja ainda maior. Grande parte do encalhe é do antigo Corsa, mas as vendas da nova versão também estão abaixo das expectativas da marca. As exportações também caíram nos últimos dois meses.O vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, acredita que as vendas internas de todas as marcas devem ficar este ano entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de unidades, ante uma previsão inicial de 1,7 milhão de veículos. O presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijóo, disse que as montadoras da sua base não devem promover demissões em massa por conta de acordos de manutenção de empregos fechados recentemente. Ele teme, entretanto, um impacto maior no setor de autopeças.

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