Paulo Libert/Estadão
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GM vai investir R$ 3,1 bi em fábricas de São Caetano e Joinville

Por enquanto, não há previsão de novos empregos, mas executivo do grupo não descarta contratações ao longo dos próximos anos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 16h01

Três semanas após anunciar investimento para a fábrica gaúcha de Gravataí, a General Motors informou nesta sexta-feira, 25, que também fará aportes de R$ 3,1 bilhões nas unidades de São Caetano do Sul, no ABC paulista, e de Joinville (SC). Ao todo, serão R$ 4,5 bilhões aplicados até 2020 em novos produtos e modernização das linhas de montagem.

O anúncio foi feito ao presidente Michel Temer, em encontro na tarde de ontem em São Paulo. Os dois investimentos estão inseridos no plano da montadora para o período entre 2014 e 2020, que contempla um aporte total de R$ 13 bilhões no País, do qual metade já foi gasto.

Do novo montante, R$ 1,2 bilhão irá para a fábrica de São Caetano, que hoje produz os modelos Cobalt, Montana, Spin e Onix Joy. A unidade de motores em Santa Catarina ficará com R$ 1,9 bilhão. No início do mês, o grupo divulgou plano de R$ 1,4 bilhão para Gravataí, onde são feitos o compacto Onix, campeão de vendas no mercado, e o Prisma.

O presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, informou que o investimento será direcionado ao desenvolvimento de novos veículos – substitutos de modelos atuais e de segmentos que ainda não produz, como crossovers e utilitários-esportivos –, e tecnologias mais avançadas de manufatura de veículos e de motores.

“Neste momento não estamos divulgando abertura de vagas, mas há boa oportunidade para criação de empregos”, disse Zarlenga ao Estado. Hoje o grupo emprega 16 mil pessoas em suas fábricas no País. A unidade de São José dos Campos (SP), que produz a picape S10 e o utilitário Trailblazer, não está contemplada neste pacote de investimentos.

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O executivo não revelou os veículos novos que serão fabricados no País, mas, no mercado, as apostas são de uma nova família de produtos que contempla um carro de entrada mais barato que o Onix (para competir na faixa de Renault Kwid, Volkswagen up! e Fiat Uno) e um SUV de pequeno porte que disputaria mercado com modelos como Jeep Renegade e Ford EcoSport. Hoje, o veículo da marca nesse segmento é o Tracker, importado do México.

Zarlenga informou que o aporte para os novos projetos virão da captação de recursos feita pela matriz globalmente, envolvendo instituições de vários países, incluindo o Brasil. Segundo ele, não haverá dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Exportações. Com a renovação de seu portfólio e os produtos inéditos, a GM espera manter-se na liderança do mercado, expandir exportações e voltar a ter lucro sustentável na América do Sul. No ano passado, o grupo fechou no vermelho, assim como no primeiro trimestre deste ano.

“No segundo trimestre, reportamos equilíbrio financeiro (‘break even’), mesmo numa indústria que não teve bons resultados, e esperamos continuar melhorando”, disse Zarlenga.

Ele aposta também em aumento das exportações, não só para a América do Sul. “O projeto inclui mercados dentro e fora da região, mas ainda não vamos dar detalhes.”

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No caso do Mercosul, o executivo defende que Brasil e Argentina tenham um “carro único”, que não precise de adaptações para rodar nos dois países. Para isso, é necessário, disse ele, que governos e empresas promovam a unificação das normas relativas à segurança, emissões e tipo de combustível.

De acordo com ele, “isso geraria mais eficiência e redução de custos com infraestrutura e estoques, por exemplo”. Hoje, entre 20% a 25% das peças de um mesmo carro vendido no Brasil e na Argentina são diferentes.

Para garantir competitividade do produto brasileiro, Zarlenga também espera a continuidade de reformas econômicas, como a tributária e a da Previdência. “A reforma trabalhista e o estabelecimento do teto de gastos já foram grandes passos, mas é preciso continuar o processo.”

Renovação. Há poucos dias, a Volkswagen anunciou investimentos de R$ 2,6 bilhões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) para a modernização da fábrica e aumento de robôs para a produção do compacto Polo – que será mais um concorrente do Onix.

A fábrica também iniciará em breve a produção do sedã Virtus. O investimento faz parte do plano quinquenal anunciado pela empresa em 2016, de R$ 7 bilhões no País. O presidente da Volkswagen, David Powels, disse que haverá renovação total do portfólio da marca, que também contará com um SUV pequeno e uma picape, a serem fabricados no Paraná.

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