General Motors/Divulgação
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GM vai produzir nova picape na fábrica de São Caetano

O investimento para o modelo, que está em fase de desenvolvimento, faz parte do programa de R$ 10 bilhões já anunciados

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2021 | 10h33
Atualizado 10 de maio de 2021 | 23h02

A General Motors anunciou nesta segunda-feira, 10, que vai produzir uma picape inédita na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista. O investimento para o novo produto faz parte do programa de R$ 10 bilhões já anunciados, a ser aplicado até meados da década. O montante será gastos na renovação do portfólio e no desenvolvimento de novas tecnologias.

“O modelo chegará para complementar a linha de picapes Chevrolet, além disso, vai estrear um conceito completamente inovador para a marca no segmento de veículos utilitários”, afirma Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul.

Segundo ele, o veículo está neste momento em fase de desenvolvimento e será o próximo integrante da nova família de veículos globais da marca Chevrolet, já composta pelas atuais gerações de Onix, Onix Plus e Tracker - todos referência em suas respectivas categorias.

Um dos objetivos da GM com o futuro veículo é o de ampliar a presença da marca Chevrolet no próspero segmento de picapes, contribuindo para o fortalecimento de outros produtos estratégicos para a empresa no mercado, como a S10. O novo modelo deve disputar mercado com a Fiat Toro.

O anúncio ocorre num momento em que a GM perde participação no mercado brasileiro, que liderou por vários anos, mas agora está na terceira posição, atrás da Fiat e da Volkswagen.

A montadora também está com a produção interrompida na fábrica de Gravataí (RS), por falta de componentes. A unidade produz o Onix, modelo mais vendido da marca e que por vários anos também foi líder de vendas no País, posto agora ocupado peça picape Strada, da Fiat. 

Fábrica passará por reformas

Segundo a GM divulgou em nota, a fábrica será preparada em etapas para receber o novo modelo. I ideia é minimizar os impactos na produtividade do complexo, que recentemente começou a produzir o SUV Tracker. A primeira fase da reforma está prevista para as próximas semanas.

A GM informa que, mesmo tendo alcançado elevado nível tecnológico dentro do conceito da indústria 4.0, a fábrica de São Caetano vai receber ferramentais específicos, que precisarão ser instalados e devidamente implementados para iniciar a montagem do veículo inédito. Está prevista ainda uma completa readequação no fluxo fabril do complexo, além da capacitação dos empregados.

“Adicionar um produto totalmente novo numa linha de montagem ativa é sempre uma jornada complexa, principalmente diante dos desafios tecnológicos que o projeto impõe. Até por isso a preparação da fábrica será executada em diversos estágios, que levarão meses cada um deles”, informa Luiz Carlos Peres, vice-presidente de Manufatura da GM América do Sul.

Funcionários ficarão em lay-off

Ao mesmo tempo em que anuncia a preparação da fábrica de São Caetano do Sul (SP) para produzir um novo veículo, a General Motors vai suspender temporariamente os contratos de 350 funcionários (lay-off) provavelmente ainda nesta semana. 

Segundo a GM, a crise sanitária e econômica provocada pela pandemia tem impactado a cadeia de suprimentos e o negócio da indústria automotiva. Informa que vem tomando uma série de medidas para proteger a saúde e segurança dos empregados, fornecedores e parceiros, preservar empregos e garantir a sustentabilidade do negócio.

Acrescenta que tem utilizado desde o ano passado mecanismos como redução de custos, banco de horas, férias coletivas, redução de jornada com redução salarial, lay-off e planos de demissão voluntária (PDV). “Com o objetivo de manter empregos, a GM acordou com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul estabelecer um plano de lay-off para funcionários excedentes, que foi aprovado em assembleia na sexta-feira”, informa a empresa.

Aparecida Inácio da Silva, presidente do sindicato, diz que o lay-off poderá durar até quatro meses. Pelo programa, o governo banca parte dos salários dos afastados, e a GM completa a diferença para que o valor mensal seja mantido. A unidade emprega cerca de 7,8 mil funcionários, 3,5 mil deles na produção.

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