GM vai recomprar ações em poder do Tesouro dos EUA

Com o negócio, chega ao fim o programa de ajuda do governo americano à montadora, iniciado na crise de 2009

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE , WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h08

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou ontem a venda de 500 milhões de ações da General Motors ao longo dos próximos 12 a 15 meses. Esse é o total de ações recebidas pelo Tesouro, em 2009, em troca da injeção emergencial de US$ 49,5 bilhões na companhia, que vivia naquele ano o auge da crise econômica dos Estados Unidos.

Com a operação, chega ao fim um dos mais controversos e bem sucedidos pacotes de socorro financeiro do governo americano a uma empresa do setor privado.

Em Detroit, a GM informou que recomprará neste mês 200 milhões das ações em poder do Tesouro, no valor de US$ 5,5 bilhões.

O preço de compra será de US$ 27,50 por ação, valor 8% superior à sua cotação no mercado de anteontem. As 300 milhões de ações restantes serão ofertadas nas bolsas de valores até o fim de março de 2014, segundo informou o Tesouro americano.

"Este anúncio é um passo muito importante para concluir a operação de resgate à indústria automotiva. Ele acaba com a percepção dos clientes de que o governo é um dos donos da GM e demonstra confiança no progresso e no futuro da companhia", disse ontem o presidente da montadora, Dan Akerson, por meio de comunicado.

Privatização. Com a iniciativa, o governo de Barack Obama cumpre a promessa de restaurar a dignidade da GM e de outras empresas socorridas no auge da crise. Nos últimos anos, sob o peso da ajuda federal, a GM passou a ser chamada de "Government Motors" pela imprensa automotiva e por representantes do mercado financeiro.

"O governo não deve permanecer por tempo indeterminado como proprietário de ações de companhias privadas", disse Timothy Massad, secretário-assistente do Tesouro, por meio de comunicado. "A decisão de retirar nosso investimento da GM é consistente com nossos objetivos de finalizar o Tarp (programa federal de socorro a empresas endividadas) o quanto antes e de proteger os interesses dos contribuintes", completou.

O aporte de US$ 49,5 bilhões feito na General Motors em 2009 permitiu à companhia atravessar um curto período de concordata, de cerca de um ano, e reemergir com situação financeira saneada. A empresa, neste ano, estima lucro líquido de US$ 38 bilhões.

Segundo Dan Amman, diretor financeiro da GM, a empresa sofreu redução nas vendas por causa do envolvimento do governo em seus negócios. A expectativa, agora, é lucrar com a saída do Tesouro. "Essa transação é atrativa para a companhia, boa para os negócios e boa para a venda de automóveis", disse Amman.

O Tesouro manterá, por enquanto, suas ações do Ally Financial, o braço financeiro da GM, e de 218 bancos socorridos no auge da crise de 2008. No início deste mês, o governo americano vendeu suas últimas ações do American International Group (AIG), o maior alvo do pacote de socorro federal. O Tesouro vendeu à Fiat suas últimas ações da Chrysler, montadora americana que pertence ao grupo italiano.

Com o pacote de ajuda às empresas, o governo Obama calcula ter salvo pelo menos 1 milhão de empregos nos Estados Unidos. A própria General Motors conseguiu, durante o período em que foi ajudada pelo governo, fazer investimentos de US$ 7,3 bilhões nos Estados Unidos. A empresa também criou ou manteve cerca de 20 mil empregos. / COM AGÊNCIAS INTER- NACIONAIS

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