GM volta aos ônibus e caminhões

Retorno ocorre dez anos após montadora ter deixado segmento no País; empresa não decidiu se vai importar ou produzir localmente

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

A General Motors pretende voltar a atuar no mercado de caminhões e ônibus no Brasil, segmento que abandonou há dez anos. A montadora avalia a possibilidade de produção local, mas é mais provável que opte pela importação.

O grupo tem linhas de montagem de caminhões na Colômbia, Venezuela, Equador e Chile, que operam com kits de componentes enviados pela sua afiliada no Japão, a Isuzu. Nos sete meses do ano, as vendas de caminhões no mercado brasileiro cresceram 53% e a de ônibus, 28,1%. O segmento de automóveis e comerciais leves teve aumento de 6,8% no período.

Segundo o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, o projeto deve ser definido daqui a três anos, quando a empresa já estará com toda a sua gama atual de produtos renovada. "Ainda não definimos como será o retorno, mas é um mercado de que temos de participar", afirmou o executivo ontem. Ele estava ao lado de Denise Johnson, que em 1º de julho assumiu a presidência da GM do Brasil em substituição ao próprio Ardila - que na mesma data passou a responder pelas operações da empresa na região.

Denise, que completará 44 anos em setembro, é a primeira mulher a presidir uma montadora no Brasil. Ao contrário de seus antecessores, a maioria com especialidade na área financeira, é formada em engenharia mecânica e administração de empresas.

Ela assumiu o comando da terceira maior operação da GM no mundo com a missão de concluir o processo de renovação de toda a linha de produtos no País. Parte de um programa de investimento de R$ 5 bilhões, a marca lançará nove carros até 2013, alguns desenvolvidos exclusivamente para o mercado brasileiro e pelo menos um com potencial de ser fabricado em outros países, o chamado carro global.

A GM vendeu no ano passado 595,5 mil veículos. Neste ano, até julho, foram 356,9 mil, um aumento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A previsão do grupo é de encerrar o ano com vendas acima de 650 mil unidades no Brasil e de 1 milhão de unidades na América do Sul.

Acordos trabalhistas. Neta de metalúrgicos, Denise está na GM já 21 anos. Antes de vir para o Brasil, era vice-presidente de Relações Trabalhistas na matriz. Com esse último currículo, tem experiência para coordenar negociações com os trabalhadores. "Vou trabalhar para desenvolver acordos que funcionem, que não aumentem custos desnecessariamente e nos permita manter a produção local com lucratividade para não termos de levar produtos para serem fabricados em outro local", disse. A GM enfrenta dificuldades com os trabalhadores de São José dos Campos (SP) e já ameaçou suspender investimentos na cidade.

A executiva também quer focar sua atuação em ampliar a lucratividade da filial e melhorar sua posição no mercado brasileiro. A marca se mantém como terceira no ranking há vários anos com cerca de 20% de participação nas vendas. "Com novos produtos, o primeiro lugar é sempre uma meta", reforçou Ardila.

Simpática, Denise arriscou algumas palavras em português. Em sua primeira conversa com a imprensa brasileira, disse quem, em 21 dias de Brasil, já visitou as três fábricas de automóveis do grupo, participou de um feirão na unidade de São Caetano do Sul, onde está seu escritório, e já foi "apresentada à pinga e gostei muito".

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