Godoy: Contenção de aumento das despesas é consenso

O secretário interino do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, disse nesta sexta-feira compartilhar da preocupação do secretário demissionário Carlos Kawall com a necessidade de o governo impor limites para o crescimento do gasto público. "Acho que é consenso entre os agentes econômicos de que há necessidade de conter a taxa de crescimento das despesas correntes para que possa abrir espaço para que o governo realize os investimentos necessários e incentivar uma maior iniciativa do setor privado na economia", afirmou em entrevista à Agência Estado. Sem dar detalhes, Godoy garantiu que devem ser incluídas no pacote de medidas do governo, a ser anunciado nos próximos dias, regras claras para redução de despesas. "Existem estudos no sentido de que haja uma contenção das despesas com gasto pessoal no agregado entre todos os poderes e que a folha de pessoal poderia crescer somente pela variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais um limitador de 1,5% ao ano", disse.Godoy citou ainda a regra para aumento do salário mínimo como parte de um programa de ajuste fiscal de longo prazo, juntamente com o gasto de pessoal. "A regra do salário mínimo (...) ela por si só traz uma previsibilidade para os próximos anos".EstadosO secretário Tesouro também afirmou que as medidas adotadas pelos Estados para resolver os problemas fiscais tem sido "positivas" e negou que haja um problema sistêmico. "A gente tem alguns estados com mais problemas, outros com menos problemas (...) Não consigo enxergar problemas sistêmicos. Há problemas específicos", afirmou.Ele afastou o risco de algum Estado vir a declarar moratória como ocorreu em Minas Gerais no governo de Itamar Franco, em 1998. "Não vejo problemas de solvência de curtíssimo prazo. As medidas adotadas pelos Estados tem sido positivas e a gente aguarda com bastante ansiedade para ver a conseqüência positiva dessas medidas de contenção de despesas". Godoy rechaçou também qualquer possibilidade de renegociação das dívidas dos Estados em 2007. "Não vejo chance, espaço para que a gente possa fazer uma renegociação de dívida com os Estados".O secretário interino negou ainda que a questão fiscal esteja trazendo nervosismo ou dúvidas ao mercado financeiro. "Não vejo inquietação nenhuma. Vejo um mercado que é normal. (...) Não vejo grande volatilidade, pelo contrário. A gente observa dia após dia sucessivos recordes em obtenção de risco menor para o Brasil", argumentou. "O governo não está parado e vem se movimentando na questão de atacar o que o importante para que o País possa ter uma taxa de crescimento mais consistente", acrescentou. Godoy espera que o cenário externo continue favorável ao Brasil ao longo do ano. "A situação do Brasil hoje é diferente, muito mais confortável, com uma exposição muito menor. Os movimentos que a gente espera no cenário internacional hoje não são movimentos fortes", disse. DívidaO Tesouro Nacional deverá seguir alongando os prazos médios da dívida em 2007 assim como irá continuar substituindo os papéis pós-fixados pelos prefixados, garantiu Godoy. "Vamos fazer os dois. Se alongar muito rápido você está sujeito a prêmios muito elevados. Vamos alongar dentro da consistência de demanda e dentro das nossas expectativas de fechamento de taxas de juros. Nós não vamos alongar mais rápido ou mais devagar", explicou. Tratado pelo secretário demissionário Carlos Kawall como seu "sucessor" dentro do Tesouro, Godoy evitou falar sobre as especulações em torno de sua permanência no cargo. "Isso compete ao ministro da Fazenda (Guido Mantega) responder (...) Do ponto de vista pessoal, já atingi meus objetivos".

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