Gol confirma compra da Varig por US$ 275 milhões

A Gol anunciou nesta quarta-feira, dia 28, a compra da Nova Varig por US$ 320 milhões. A empresa desembolsou US$ 275 milhões com a entrega de 3% de suas ações e 10% de seu próprio caixa. O restante, R$ 100 milhões, corresponde a uma obrigação de honrar emissões de debêntures (títulos da empresa) feitas pela nova Varig.O empresário ?Nenê? Constantino Oliveira disse, em entrevista, que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe pediu há seis meses para "salvar" a Varig. Minutos antes, Oliveira esteve com Lula no gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto para comunicá-lo da compra da Varig. A Gol informou ao governo que vai manter o programa de milhagem da Varig e assegurou gerenciamentos separados, o que facilita a aprovação da compra pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ao lado de Constantino Oliveira, estava o advogado Roberto Teixeira. ?Só cuidei da parte jurídica", disse Teixeira ao ser questionado sobre a participação na compra da Varig pela Gol. O escritório de advocacia já foi advogado da Transbrasil.O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, sinalizou que a negociação envolvendo as duas companhias aéreas poderá ser aprovada pela agência em até dois meses. Ele disse que, durante a audiência, Lula pediu rapidez na análise da compra da Varig. ?O presidente pediu que a Anac analisasse o mais breve possível a negociação para podermos oficializar a transferência de ativos?, afirmou.?A Gol vai manter as empresas em concorrência, com linhas gerenciais próprias?, observou. ?Nesse sentido, as primeiras palavras da Gol são bem vindas." Filho de Constantino Oliveira e atual presidente da Gol, o empresário Constantino Júnior disse que o valor de compra da Varig foi superior ao preço pelo qual a companhia foi comprada em julho de 2006 pela VarigLog por causa de uma série de investimentos que teriam sido feitos. Única participante do leilão, a VarigLog pagou US$ 24 milhões pela companhia. "A Varig operava com dois aviões na época e hoje opera com 16 aviões", disse Constantino Júnior. O leilão ocorreu três meses antes da suposta conversa de Constantino Oliveira com o presidente Lula.A aquisição foi feita por meio de uma subsidiária da Gol, a GTI S.A. A Gol afirmou que manterá a marca Varig tanto no mercado doméstico quanto no internacional. A intenção é manter posicionamentos distintos para cada marca.Novo focoA Varig terá um foco mais de negócios, explicou a empresa, com serviços diferenciados e o programa de milhagem Smiles, que conta com uma base de 5 milhões de clientes. No mercado doméstico, a Varig concentrará suas operações nos aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro, com vôos diretos para as principais capitais. Dentre os destinos internacionais, a Varig fará vôos de longo curso para Europa (Frankfurt, Londres, Madrid, Milão e Paris)e América do Norte (Miami, Nova York, Cidade do México).Na América Latina, região onde a Gol atua agressivamente, a Varig se concentrará nos maiores mercados (Buenos Aires, Santiago, Bogotá e Caracas), com vôos diretos e classes econômica e executiva. No modelo de negócios internacionais da Gol para a Varig, a primeira classe será suprimida. A Gol manterá seus vôos para a Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, apenas com classe econômica.No comunicado, a Gol não fala em prazos, mas diz que pretende ampliar a frota da Varig de 17 para 34 aviões. No mercado doméstico, as duas companhias vão operar apenas com Boeings 737. A Varig já possui 15 jatos desse modelo e receberá outros 5. Para retomar as rotas internacionais, a Varig ganhará 14 Boeings 767.DisputaA Gol disputou a Varig com a LAN. A companhia aérea chilena chegou a fazer um empréstimo de US$ 17,1 milhões para a Varig em janeiro, operação passível de ser convertida em ações. A TAM chegou a analisar a possibilidade de uma aquisição, mas desistiu por temer a possibilidade de sucessão de dívidas da Varig velha. Para o governo, a manutenção da bandeira Varig nas mãos de uma empresa brasileira capaz de retomar as rotas internacionais, além de uma questão estratégica é uma questão de balanço de pagamentos. Em seu auge, a Varig chegou a contribuir com US$ 1,2 milhão em divisas. E esse vácuo deixado pela Varig está sendo suprido por companhias estrangeiras.Matéria alterada às 17h57 para acréscimo de informações

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