Mike Blake/Reuters e Fábio Motta/Estadão
Mike Blake/Reuters e Fábio Motta/Estadão

Gol fecha parceria com American, levanta R$ 1 bi e vê ações subirem 2,6%

Além de garantir uma parceria para o mercado americano, o novo aporte amplia o total de recursos levantados nos últimos 6 meses pela Gol para R$ 3,7 bi; com o acordo, gigante americana passa a deter 5,2% do capital da companhia brasileira

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 11h39
Atualizado 15 de setembro de 2021 | 22h56

A Gol levantou US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,05 bilhão) por meio de um acordo de exclusividade de compartilhamento de voos com a American Airlines válido por três anos. Com isso, a companhia aérea americana passa a deter 5,2% da brasileira, que melhora uma situação de liquidez que preocupava parte do mercado. O mercado reagiu bem à operação. A ação da aérea subiu hoje 2,6%, fechando a R$ 19,78.

Segundo anúncio feito pela Gol, com o dinheiro aportado pela American, a companhia levantou R$ 3,7 bilhões de capital de longo prazo nos últimos seis meses. Antes da injeção desse R$ 1 bilhão, o Credit Suisse destacara, em relatório, que a situação de liquidez da empresa brasileira era delicada. Isso, ao lado de uma estrutura de custos pesada, fez inclusive o banco classificar as ações da companhia como inferiores à média.

“A geração de fluxo de caixa fraca, o aumento da competitividade da Azul, a fraca posição de liquidez, a estrutura de custos pesada e um foco obscuro da estratégia ESG nos tornam menos otimistas (em relação à Gol)”, afirmaram os analistas Alejandro Zamacona, Diego Serrano e Regis Cardoso, do Credit, no fim de agosto.

O acordo com a America Airlines, no entanto, pode dar gás à Gol nessa fase de retomada do setor aéreo, momento em que capital é essencial para que as empresas possam voltar a acrescentar voos. Quando o mercado estava quase fechado devido às restrições da covid, as companhias sobreviveram enxugando custos. Agora, com os funcionários fora das licenças não remuneradas e com os custos em alta devido à desvalorização do real, a necessidade de caixa se impõe para que elas não percam participação no mercado.

Segundo o Bradesco BBI, o acordo é positivo para a Gol porque aumenta a liquidez da empresa para cerca de R$ 5,2 bilhões. “Com base no último guidance para o segundo semestre de 2021, a Gol esperava reportar uma liquidez total de R$ 4,2 bilhões no quarto trimestre, que agora pode saltar para cerca de R$ 5,2 bilhões, e, em nossa opinião, deve ser suficiente para superar a pandemia”, dizem os analistas Victor Mizusaki, Andre Ferreira e Pedro Fontana.

O banco ajustou seu modelo para incorporar o aumento de capital e os números de tráfego de julho e agosto de 2021, resultando em um aumento do preço-alvo de R$ 26 para R$ 27, o que representa um potencial de valorização de 40% sobre o último fechamento.

Em julho, a Gol transportou 31,6% dos passageiros que viajaram no mercado interno brasileiro, enquanto a Azul ficou com 36% e a Latam, com 31,2%. No último julho antes da pandemia, em 2019, a Gol tinha 39,4%, a Latam, 32,8% e a Azul, 27,1%.

Acordo

O negócio entre a Gol e a American foi feito com a brasileira emitindo 2,2 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto), e com a americana adquirindo esses papéis a R$ 47,03 cada um. O valor considerado foi bem maior do que o registrado pela Gol na terça-feira, quando a ação foi cotada a R$ 19,28, e também superior à média de R$ 35,68, verificada no segundo semestre de 2019 (antes da pandemia).

Em nota, o diretor-vice-presidente financeiro da Gol, Richard Lark, afirmou que o investimento da American representa o “reconhecimento do valor” da Gol. O presidente da empresa brasileira, Paulo Kakinoff, disse que o acordo “fortalecerá ainda mais a presença da Gol nos mercados internacionais, acelerará nosso crescimento de longo prazo e maximizará o valor para nossos acionistas”. 

As duas companhias já tinham um acordo de codeshare desde fevereiro do ano passado. O contrato, no entanto, não previa exclusividade. O novo modelo de parceria ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração da Gol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.