Gol diz que demissões na Webjet são irreversíveis

Executivos explicaram a autoridades por que empresa fechou Webjet mesmo após governo desonerar folha do setor

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h04

O alto comando da Gol informou ontem ao governo que a demissão dos 850 funcionários da Webjet, anunciada na última sexta-feira, é irreversível. A Gol comprou a concorrente em julho de 2011 e a operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no mês passado.

Numa rápida reação que surpreendeu o sindicato dos trabalhadores e o governo, a direção da empresa decidiu fazer os desligamentos e acabar com a marca da companhia comprada. "Não há possibilidade de reversão dessas decisões", disse ontem o presidente da Gol, Paulo Sergio Kakinoff. Na véspera, uma comitiva de funcionários da Webjet pediu que o Ministério do Trabalho tentasse fazer com que a empresa recuasse da decisão.

O executivo explicou ao governo que a média de idade da frota de aviões da Webjet é de 21 anos, enquanto a da Gol é de seis anos. Essa diferença de tempo de uso representa um consumo 28% maior de combustível - item que responde por 45% dos custos da empresa aérea.

"Esses aviões se mostram completamente inviáveis para operação no Brasil sob o ponto de vista econômico", disse Kakinoff. A decisão da Gol foi absorver os profissionais de aeroportos e dispensar a tripulação e o grupo de manutenção de aeronaves. "Uma combinação de fatores fez com que o setor de aviação vivesse este ano o pior resultado operacional e financeiro de sua história", afirmou. Só a Gol acumula, no período de janeiro a setembro, um prejuízo R$ 1 bilhão.

Depois do encontro, o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt, explicou ter pedido a reunião para avaliar a situação da Gol depois da fusão e ouvir as justificativas sobre as demissões. "Estamos acompanhando o processo e temos de olhar o interesse maior do setor."

Desoneração. A partir do ano que vem, as companhias aéreas passarão a integrar a lista de 40 setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamento. A redução do tributo prometida pelo governo, porém, não foi suficiente para evitar as demissões após a incorporação da Webjet.

"A desoneração da folha não foi condicionada (à manutenção de empregos) e, de fato, nem poderia ser. O governo sabe do atual cenário do setor aeronáutico", argumentou Kakinoff.

O presidente da Gol calcula que o impacto positivo da desoneração será de R$ 90 milhões por ano. Mas os reajustes previstos nas tarifas aeroportuárias representarão um aumento de R$ 140 milhões nos custos.

Além de atender a SAC, a Gol deverá dar nos próximos dias as mesmas justificativas para outras áreas do governo. "Possivelmente", segundo Kakinoff, um encontro será marcado no Ministério do Trabalho.

Ontem, o Ministério Público Federal enviou ofícios para a companhia e para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pedindo informações sobre o fim da Webjet. O sindicato dos setor programou outro protesto contra o fim da empresa hoje em São Paulo, Rio e Porto Alegre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.