Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Gol e comitê independente da Smiles encerram conversas sobre incorporação de empresa de fidelidade

Comitê havia sido criado para determinar termos da reincorporação da Smiles pela Gol; companhia aérea não alterou sua decisão de integrar empresa de fidelidade

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2019 | 12h27

Após cinco meses de conversas, a Gol encerrou as negociações com o comitê independente da Smiles, que havia sido formado para que as companhias chegassem a um acordo sobre os termos de reincorporação da empresa de fidelidade pela aérea. Em fato relevante, a Gol comunicou que, apesar do término das tratativas, não alterou sua decisão de não renovar o contrato com a Smiles, que vence em 2032. 

O modelo em que a reincorporação da Smiles ocorrerá é, agora, uma incógnita, mas a tendência é que seja menos favorável aos acionistas da Smiles. O Estado apurou que o entrave nas conversas entre a Gol e o comitê independente foi no valor das ações da Smiles. O anúncio da aérea derrubou o preço das ações da Smiles. Às 13h desta quarta-feira, 19, os papéis da companhia de fidelidade caíam 4,95% e os da Gol, 2,2%.

O desentendimento entre as empresas não traz nenhuma alteração nas milhas ou benefícios dos participantes do programa de fidelidade.

 

Em outubro do ano passado, a Gol anunciou que incorporaria a Smiles em sua estrutura, seguindo o exemplo da Latam,  que fez o mesmo movimento com a Multiplus. Ao contrário da concorrente, porém, a Gol decidiu não fazer uma oferta para a compra de papéis  (OPA) dos atuais acionistas da Smiles, o que repercutiu mal no mercado. A intenção da aérea era oferecer aos acionistas da Smiles uma combinação de ações da Gol, vistas como de maior risco e menos atrativas.

A Gol é controladora da Smiles, com 52,6% de participação. Quando anunciou a pretensão de reincorporar a empresa de fidelidade, o presidente da aérea, Paulo Kakinoff, afirmou que as duas companhias perderiam competitividade se mantivessem o arranjo atual, já que há uma tendência global de integração das aéreas e de seus programas de fidelidade. Além da Latam, a Air Canadá e a Aeromexico também já haviam anunciado mudanças semelhantes.

A ineficiência fiscal da manutenção das empresas  de forma separada foi um dos grandes propulsores das incorporações. Com resultados voláteis, as companhias aéreas, não raramente, são isentas de impostos de renda por apresentarem prejuízos. O mesmo não vale para as empresas de fidelidade, que costumam apresentar resultados mais sólidos. Incluir o programa de fidelidade dentro da própria aérea pode fazer, portanto, que a empresa de fidelidade pague menos  impostos.

Nesta quarta-feira, a Smiles também publicou fato relevante em que reforçou “ seu comprometimento de buscar a entrega consistente de resultados e crescimento, independentemente da realização da reorganização societária”. Informou que, para isso, trabalha “na revisão de seu planejamento estratégico de forma a refletir a decisão da Gol de não renovar o contrato operacional”.

O documento da Gol diz que o fim das conversas com o comitê independente da Smiles não alteram suas “expectativas operacionais e financeiras”.

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