Gol pode ficar com 7 dos 20 jatos em arresto da Varig

Pelo menos sete dos 20 aviões da Varig, parados por ameaça de arresto, poderão ser utilizados pela Gol, segundo uma fonte que acompanha o setor aéreo. Caso as companhias de leasing proprietárias dos jatos consigam retomá-los, as aeronaves já teriam destino certo: a Gol arrendaria os modelos para cobrir rotas abandonadas pela outra companhia brasileira. Dos sete aviões, todos modelos da Boeing, três pertenceriam ao Internacional Lease Financial Corporation (ILFC) e quatro ao GATX.A fonte comentou ainda que é provável que a TAM assuma os Boeings 777 da Varig, utilizados em rotas internacionais, em processo similar ao da Gol, ou seja, após a retomada dos jatos pelas empresas de leasing.Entretanto, outro especialista do setor aéreo considera esta hipótese pouco factível, visto que a frota da TAM hoje é essencialmente composta por jatos da Airbus, embora admita que a empresa tem ambição em crescer nas rotas de longa distância. "Há diferenças nos equipamentos. A TAM precisaria contratar tripulação acostumada com esse tipo de jato, provavelmente vinda da própria Varig."Neste caso, o especialista lembra que o processo de contratação não poderia ser apenas uma transferência de operações e pessoal. "Se a operação for transferida, a TAM corre o risco de ter que assumir dívidas trabalhistas. O certo seria esse pessoal ser desligado da Varig e contratado pela TAM."Passageiros A TAM e a Gol informaram ainda que continuarão a aceitar passageiros da Varig que tenham vôos cancelados por tempo indeterminado. A medida faz parte do plano de contingência negociado entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as principais companhias aéreas do País. Porém, segundo a Gol, serão transferidos passageiros conforme horários e lugares disponíveis. Na última terça-feira o presidente da Gol, Constantino Oliveira Júnior, esteve em Brasília para discutir o plano de contingência da Anac, que começou a vigorar nesta quarta com o agravamento da crise da Varig. Problemas Fonte do setor aéreo informa que a Varig está tendo problemas com a câmara de compensação de passagens aéreas no Brasil. Essa câmara é comandada pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) e trata-se de um acordo multilateral de aceitação recíproca de bilhetes aéreos. Pelo sistema, toda a empresa aérea participante do acordo pode aceitar o cliente de qualquer outra companhia, desde que haja concordância com o preço de comercialização da passagem.O problema é que a Varig não está fazendo o pagamento na câmara e pode ter dificuldade em endossar a passagem para que outra concorrente transporte o passageiro. Sem o endosso, a outra companhia não tem garantia de que receberá o valor correspondente da Varig pelo serviço prestado. Segundo a fonte, situação semelhante ocorreu com a Vasp poucos dias antes da paralisação das suas operações, em janeiro de 2005.No entanto, a atuação do governo federal pode minimizar os obstáculos para os passageiros. No ambiente internacional, a situação é mais incerta, pois a Varig saiu da câmara de compensação de passagens da entidade International Air Transport Association (Iata) também por falta de pagamento.Com isso, somente as companhias da aliança internacional da Star Alliance tendem a aceitar bilhetes da Varig, já que a brasileira é uma das fundadoras dessa aliança. Fazem parte da Star Alliance 18 grandes empresas, como a Lufthansa, a TAP, a United Airlines, a Swiss e a Us Airways, entre outras.

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