Ações da Gol sobem 12% após anúncio de lucro e aumento da demanda

Ações da Gol sobem 12% após anúncio de lucro e aumento da demanda

Companhia aérea reverteu prejuízo e registrou lucro de R$ 65,9 milhões no terceiro trimestre

Victor Aguiar, Marcelle Gutierrez, Karin Sato, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2016 | 09h13
Atualizado 07 Novembro 2016 | 22h13

Depois de anunciar lucro de R$ 65,9 milhões no terceiro trimestre - resultado acima das expectativas do mercado e que reverte prejuízo de R$ 2,13 bilhões de igual período de 2015 -, a Gol informou nesta segunda-feira, 7, que já percebe uma leve melhora nas reservas para o fim do ano. As notícias foram suficientes para despertar o ânimo dos investidores: as ações da aérea na BM&FBovespa subiram 12,6%, para R$ 7,86, enquanto as do programa de fidelidade Smiles, avançaram 3,3%, para R$ 55,05.

A valorização do real é um dos fatores que ajudaram muito na recuperação da Gol, já que cerca de 40% dos custos das áreas está atrelado ao dólar, incluindo o querosene de aviação. No entanto, além de ser ajudada pela conjuntura, o mercado avaliou que a companhia vem fazendo o dever de casa nos custos.

Analistas do Credit Suisse destacaram, em relatório, “o comprometimento da empresa com a racionalização do mercado doméstico, mesmo após um bom resultado”.

A geração de caixa da Gol, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 333,4 milhões, 2,9 vezes acima do verificado no mesmo trimestre de 2015 (R$ 113,6 milhões). A margem subiu para 13,9%, contra 4,6% de um ano antes. A receita operacional líquida, porém, caiu 3,5%, para R$ 2,4 bilhões.

Dívidas. Com muito a fazer ainda na redução de seu pesado endividamento, a empresa tentou ser otimista, mas sem dar a impressão de que seus problemas estão resolvidos. O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse que o cenário ainda inspira cautela. “A curva de bookings (reservas) em novembro, dezembro e janeiro aponta uma leve melhoria, mas a volatilidade do mercado como um todo ainda é alta”, disse, em teleconferência sobre o balanço trimestral.

O diretor vice-presidente financeiro da Gol Linhas Aéreas, Richard Lark, afirmou que apenas em abril ou maio de 2017 será possível identificar uma tendência mais clara sobre a demanda. “Falamos sobre o que se espera para o fim do ano, mas, depois, entraremos numa queda sazonal”, disse. Lark destacou ainda que um eventual pacote de austeridade do governo também pode ter um impacto negativo na demanda.

Para melhorar seus números, a empresa vem apostando na redução da oferta de assentos por quilômetro, adequando-se a um mercado mais recessivo. Para o exercício de 2016, a companhia passou a prever retração de 8%. Isso significa que os cortes continuarão até dezembro, já que a redução acumulada até setembro é de 7,2%.

Essa posição de austeridade é necessária diante da alta alavancagem, que estava em 7,2 vezes o Ebitda da companhia em 30 de setembro. Há um ano, a situação era pior: a dívida era equivalente a 11,3 vezes a geração de caixa da aérea.

Ao fim do terceiro trimestre, a Gol registrava um total de empréstimos e financiamentos de R$ 6,35 bilhões, o que representa uma queda de 8,7% ante o segundo trimestre de 2016 e uma retração de 33,1% ante o mesmo período do ano passado. A dívida bruta ajustada supera R$ 15,1 bilhões, enquanto a líquida soma R$ 5,2 bilhões.

Redução de frota. A Gol seguirá reduzindo sua frota neste e no próximo ano, pois ainda vê um cenário macroeconômico ainda volátil - essa medida também visa à redução da dívida.

Ao fim do terceiro trimestre, do total da frota de 135 aeronaves Boeing 737-NG, a Gol operava em suas rotas 116 aeronaves. Das 19 aeronaves remanescentes, 11 estavam em processo de devolução e 8 foram subarrendadas para outras companhias aéreas.

Segundo o vice-presidente financeiro da Gol, outras duas aeronaves deverão entrar no processo de devolução nos últimos três meses deste ano o que fará a empresa encerrar 2016 com 122 aviões. E, em 2017, haverá ainda a devolução de outras cinco aeronaves.

Tais devoluções programadas implicam uma redução de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,6 bilhão na dívida da Gol, de acordo com o executivo. / COM REUTERS

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SÃO PAULO Ebit Boeing

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