Wilton Jr/Estadão
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Gol vai oferecer voos para Cuba e para a Europa

Executivo da Air France-KLM  trabalha dentro da sede da Gol criando estratégia para ofertar passagens para destinos europeus; quanto à Cuba, ainda não há data para o início da operação

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2015 | 02h05

A Gol e Air France-KLM resolveram dar um passo adiante na integração das companhias. A partir de agora Gol venderá em seu site passagens para destinos como Paris e Amsterdam, operados pela Air France. A mudança ocorre um ano e três meses após a Air France anunciar a compra de 1,5% da Gol.

A integração de vendas e malhas da Gol com a Air France segue modelo já implementado com a Delta. Depois de comprar de 3% na Gol, em dezembro de 2011, a aérea americana ampliou os acordos de codeshare (compartilhamento de voo) já existentes entre as empresas. Hoje cerca de 15% dos passageiros que fazem conexões entre voos de Gol e Delta compram a passagem no site da Gol.

A Gol tem acordos de codeshare com diversas empresas estrangeiras, mas as parcerias com Air France e Delta vão além. "No codeshare tradicional, permitimos que o parceiro coloque o código dele no nosso voo. No estratégico, que temos com Delta e Air France, fazemos ajustes nas malhas e discutimos juntos o serviço no aeroporto, por exemplo", explica Alberto Fajerman, diretor de relações institucionais e alianças da Gol.

Para viabilizar a integração das companhias, a Air France trouxe de volta ao Brasil o executivo Francis Richard - que trabalha dentro da sede da Gol em São Paulo, ao lado do aeroporto de Congonhas. A Air France trabalha com modelo parecido na Delta e na Alitalia, empresas nas quais também detém participação acionária.

A equipe da Air France e da Gol trabalham juntas para identificar oportunidades de integração. Em 2014, cerca de 1,2 milhão de passageiros chegaram no Brasil em voos do grupo Air France-KLM no Rio, São Paulo e Brasília. Cerca de 20% deles seguiram viagem para outros destinos nacionais. 

A formação de parcerias de longo prazo com empresas estrangeiras é parte da estratégia de expansão da Gol. Como aérea de baixo custo, ela usa uma frota padronizada para reduzir custos. Seus aviões, os Boeing 737-700 e 737-800, não têm autonomia para voos diretos para a Europa ou os EUA. 

As parcerias também são peça-chave no plano da Gol de reforçar sua receita em dólar. Cerca de 15% das suas receitas são em dólar - e mais de um deste total vem de voos operados por companhias estrangeiras parceiras.

Cuba. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) alocou três frequências semanais para a companhia aérea Gol realizar serviços aéreos entre o Brasil e Cuba. A decisão consta em portaria da edição do Diário Oficial da União publicada nesta terça-feira, 14. Na região do Caribe, a Gol já voa para República Dominicana e Aruba.

No último dia 9, a aérea informou que havia iniciado o projeto de voar para Havana, com o envio da solicitação à Anac. Na ocasião, informou que o próximo passo é solicitar um horário de voo, conhecido como Hotran. Como o voo depende da autorização da Anac, a companhia aérea não sabe informar quando terá início a operação e nem se o trajeto será feito com voos diretos ou com escalas.

O aval da Anac à Gol foi anunciado dias depois da Cúpula das Américas, que pela primeira vez teve a participação de Cuba. O encontro dos países americanos ocorreu nos dias 10 e 11 de abril, no Panamá. 

Em dezembro, Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada das relações diplomáticas após mais de 50 anos de cisão.

Em fevereiro, a companhia Cubana de Aviación cancelou os voos semanais que tinha entre São Paulo e Havana. 

Desde então, a principal opção para o trajeto passou a ser a Copa Airlines, que faz escalas no Panamá. (Com agência Reuters).

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