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Goldemberg critica modelo de leilões de energia

O físico José Goldemberg, ex-ministro da Educação e especialista em energia, ciência e tecnologia, criticou hoje o modelo de leilões seguido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que privilegia a busca pelo menor preço possível na geração de energia elétrica. Segundo ele, o governo deve adotar mecanismos para incentivar o consumo em escala das energias renováveis, normalmente mais caras que os combustíveis fósseis. "No início de sua produção, o preço do álcool combustível era o triplo do que é atualmente. E hoje, o álcool já substitui 40% da gasolina no Brasil", disse ele, ao participar do Eco Power Conference - Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade, em Florianópolis.Goldemberg afirmou que não se pode utilizar o mesmo modelo seguido no recente leilão para a concessão de estradas federais, que buscam o menor preço de pedágio. "Energia não é estrada. Dependendo da forma de energia que se escolhe, pode-se produzir poluição", afirmou.O físico citou que a maior parte dos países procura evitar a instalação e utilização de usinas térmicas, enquanto no Brasil o volume de gás enviado aos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro foi reduzido para atender às necessidades de usinas térmicas. "Voltar ao carvão é um retrocesso. Espero que essa linha não prospere. Não sei se existe disposição do governo para isso, mas a própria falta de gás é um sintoma de que a forma como o modelo energético do País vem se expandindo é problemática", disse.Para Goldemberg, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que apóia o desenvolvimento de projetos para a diversificação da matriz energética, é tímido e não cumpre as próprias metas que traça. Ele defende que cada país escolha a estratégia mais adequada para reduzir as emissões e incentivar o uso de energia elétrica renovável."A escalada do preço do petróleo mostra que a produção não acompanha mais a demanda. O sistema atual é formidável para cidades como Nova York e Rio de Janeiro, mas ele não vai durar", reiterou. * A jornalista viajou a Florianópolis a convite da organização do evento.

ANNE WARTH*, Agencia Estado

29 de novembro de 2007 | 18h08

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