Golden Cross deixa de atender pessoa física

Os 160 mil clientes do plano de saúde serão transferidos para a Unimed Rio

DAYANNE SOUSA , O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h08

Após ter limitado a venda de novos planos de saúde familiares e individuais, a Golden Cross deixou de vez este mercado. A companhia vendeu toda sua carteira deste tipo de plano, tanto médicos quanto odontológicos, para a Unimed-Rio. A operação foi aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), após ter sido validada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A partir de 1º de outubro, todos os cerca de 160 mil clientes pessoa física da Golden Cross passam a ser atendidos automaticamente pela Unimed-Rio. Com a movimentação, a Unimed-Rio informou que vai superar a marca de 1 milhão de clientes de planos de saúde. A venda inclui planos em todo o território brasileiro, não apenas no Rio.

Em junho, a Golden Cross já havia decidido restringir a comercialização dos planos individuais apenas a canais próprios e não vender mais via corretoras. Em nota, a empresa informou que "a iniciativa faz parte da estratégia de negócios adotada nos últimos três anos de focar nos segmentos empresariais, incluindo a odontologia, que proporcionou um crescimento acima de 20%".

No comunicado, o presidente da Golden Cross, João Carlos Regado, informou que a companhia estará pronta para fazer novos investimentos e concentrar esforços nos processos de venda e atendimento aos clientes coletivos.

A Golden Cross informou que continua a atender cerca de 800 mil clientes pelo Brasil e espera retomar a marca de 1 milhão de beneficiários nos próximos três anos, o que representa um crescimento de 10% ao ano.

As condições contratuais dos clientes serão mantidas. Cirurgias e tratamentos já em andamento ou agendados, a área de abrangência geográfica dos planos e suas datas-base de reajuste serão respeitados e mantidos, segundo informaram as companhias.

Planos individuais. Em junho, a Amil também parou de vender planos individuais. A empresa continua operando, porém, com os planos que já tinham sido contratados anteriormente. O movimento segue os passos que SulAmérica, Bradesco Saúde e Porto Seguro deram no passado. Este tipo de plano costuma ter custos mais elevados para as operadoras do que os coletivos. Além disso, a ANS impõe um limite aos reajustes das mensalidades neste segmento.

Para a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as operadoras e seguradoras com atuação em saúde suplementar, a regulação da ANS para os planos individuais precisa ser revista. A agência fixa anualmente um porcentual máximo de reajuste para este segmento, com base na média dos reajustes praticados para os planos corporativos.

Riscos. Os valores são elevados, portanto, não de acordo com o índice de sinistros de cada carteira, mas com o teto estabelecido pelo regulador. O problema é que, segundo empresários do setor, os índices estabelecidos pela ANS nunca acompanham o aumento dos custos médicos dos planos individuais que, geralmente, está acima da inflação oficial do País.

Apesar do tíquete médio no público individual ser mais elevado que no empresarial, o entendimento de especialistas é que a gestão dos planos é mais complicada. Ou seja, além da questão do reajuste, pesa ainda o fato de o controle da operação ser mais difícil.

Quando a Amil decidiu deixar esse segmento, analistas avaliaram que a estratégia está de acordo com a do United Health Group (UHG), norte-americana que adquiriu o controle da brasileira em 2012.

Com a saída da Amil, em junho, e agora a da Golden Cross, restam poucas operadoras vendendo planos individuais. As Unimeds e outras pequenas operadoras de medicina de grupo são a alternativa.

1. A partir de 1º de outubro de 2013, os 160 mil clientes pessoa física da Golden Cross passam a ser atendidos automaticamente pela Unimed-Rio. O negócio inclui planos em todo o território brasileiro, não apenas no Rio de Janeiro.

2. As condições contratuais dos clientes serão mantidas. Cirurgias e tratamentos já em andamento ou agendados, a área de abrangência geográfica dos planos e suas datas base de reajuste serão respeitados e mantidos, garantiram as companhias.

3. Com a saída da

Amil e da Golden

Cross, restam poucas operadoras vendendo planos individuais. As Unimeds e outras pequenas operadoras de medicina de grupo são a

alternativa.

4. As operadoras estão mudando suas estratégias e focando no segmento corporativo para reduzir custos e sair do ambiente altamente regulado dos planos individuais. A ANS fixa anualmente um porcentual máximo de reajuste para este segmento, com base na média dos reajustes praticados para os planos corporativos. Os valores são elevados até um teto estabelecido pelo regulador.

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