Goldfajn atribui desemprego baixo à produtividade e custo de demissão

O economista-chefe do Itaú Unibanco e sócio do Itaú BBA afirmou que empresários brasileiros têm evitado demitir na expectativa de que o País volte a crescer

Anne Warth, da Agência Estado,

20 de março de 2012 | 16h23

O economista-chefe do Itaú Unibanco e sócio do Itaú BBA, Ilan Goldfajn, acredita que duas razões explicam a redução da taxa de desemprego do País, que continua a cair apesar da desaceleração econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,7% em 2011, depois de uma alta de 7,5% do PIB no ano anterior. As hipóteses citadas são a baixa produtividade do trabalhador brasileiro e a opção deliberada dos empresários de não demitir empregados devido aos custos elevados.

Na segunda hipótese, confiantes em uma retomada do crescimento, depois de um período mais lento, e nas perspectivas de médio e longo prazo da economia, as empresas fariam uma "poupança de trabalhadores", mantendo um contingente de funcionários ociosos que, mais tarde, terão seus serviços demandados.

"As empresas brasileiras aprenderam que demitir e contratar um funcionários três meses depois é prejuízo. Então, têm evitado demitir na expectativa de que o País volte a crescer", afirmou Goldfajn, durante o seminário "O Quebra-Cabeça do Emprego no Brasil", promovido na capital paulista pelo Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. Essa estratégia, segundo ele, pode ser observada nos indicadores de horas pagas aos trabalhadores da indústria, que vêm caindo há alguns meses.

Se essa hipótese estiver correta, isso significa, de acordo com Goldfajn, que a taxa de desemprego medida pelas instituições oficiais não estaria traduzindo de forma clara a realidade da economia do País. "Assim, uma pessoa desempregada não acha emprego tão fácil quanto os números parecem mostrar", afirmou.

Em relação à baixa produtividade do trabalhador brasileiro, Goldfajn explicou que, com o crescimento econômico dos últimos anos, as empresas tiveram dificuldade para encontrar mão de obra qualificada. Assim, incorporaram ao mercado trabalhadores com qualificação inferior à dos empregados que antes ocupavam a mesma função. Dessa forma, a produtividade média da economia brasileira diminuiu.

Risco inflacionário

Os riscos dessa situação, segundo Goldfajn, esbarram na inflação. "Se estamos produzindo menos com mais gente, então a produtividade caiu. E, nessa situação, a inflação aumenta", afirmou o economista, que prevê que inflação, medida pelo IPCA, feche 2012 em 5,5% e, em 6%, no ano subsequente.

"Se a questão for mais o comportamento das empresas se preparando para a recuperação, a recuperação vai ser muito mais suave do que se imaginava", afirmou Goldfajn. "Se a questão for de produtividade e a qualificação da mão de obra for o principal, quando crescer, vai ter um pouco mais de inflação. E para ajustar a produtividade, só qualificando mão de obra. Isso é uma questão lenta, árdua, mas que tem de ser feita."

Goldfajn espera que a taxa de desemprego encerre o ano de 2012 em 6%. "Está em 5,5% e vai em direção aos 6%", afirmou.

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