Goldfajn diz que ajuste vai permitir que País faça escolhas

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a defender ontem a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que limita os gastos públicos por 20 anos. Durante reunião com conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em São Paulo, ele afirmou que o teto de gastos permitirá que o Brasil volte a “fazer escolhas, ao invés de elas serem impostas pelas circunstâncias”.

Fabrício de Castro / BRASÍLIA, Impresso

10 Dezembro 2016 | 08h23

Goldfajn destacou dois fatores que levaram à crise vivida atualmente pelo País. O primeiro foi o “fim de um período de ouro para economias emergentes exportadoras de commodities”. O segundo foi “a reação doméstica ao boom econômico e, depois, ao choque que levou à reversão”.

“Avaliou-se o choque como de natureza temporária, quando, na verdade, ele se mostrou mais persistente”, afirmou, em referência à crise financeira global, que estourou no fim de 2008. “Com base nesse diagnóstico, as políticas anticíclicas adotadas revelaram-se demasiadamente intervencionistas e geraram sérios desequilíbrios da economia brasileira.”

Ao abordar a situação fiscal, Goldfajn lembrou que os gastos públicos cresceram, em média, 6% acima da inflação entre 1997 e 2015. “Gastos crescentes necessitam ser financiados via aumento da carga tributária ou da dívida pública, como foi o caso de hoje, ou, em última instância, via aumento de inflação”, disse. “É preciso interromper essa dinâmica o quanto antes.”

Goldfajn defendeu ainda que uma queda permanente da inflação “leva à queda sustentável dos juros, que tem efeitos diretos no crescimento”. Ontem, o IBGE informou que a inflação em novembro foi de 0,18% – menos do que esperavam os economistas do mercado financeiro. “Uma inflação baixa e estável é condição necessária para a retomada econômica, porque preserva o poder de compra dos indivíduos e das firmas, permite o alongamento dos horizontes de planejamento e diminui as incertezas quanto ao retorno do investimento produtivo”, disse Goldfajn.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.