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Goldman deixa de 'vender Brasil' para pessoas físicas

Investidor brasileiro cliente da área de private banking da instituição só terá opções de investimentos no exterior

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2015 | 02h04

O banco americano Goldman Sachs anunciou ontem a seus clientes pessoas físicas que não vai mais vender nenhum título do governo, fundos de investimentos e ações na Bolsa brasileira em sua área de private banking. Para ser cliente do Goldman é preciso ter no mínimo US$ 10 milhões e, a partir de agora, foco exclusivo em investimentos no exterior.

"A visão é de aumentar essa área", disse o presidente do banco no Brasil, Paulo Leme. "O mercado já nos vê como um banco com modelo de alocação global." Mas, num primeiro momento, a área tende a ser reduzida. O próprio gestor da área, Fernando Valada, diz que, com juros de 14% pagos nos títulos brasileiros, parcela considerável da carteira dos clientes tem de estar alocada nesse tipo de investimento. Mas não mais por meio do Goldman Sachs.

Mesmo frisando a expertise do banco em buscar os melhores investimentos para seus clientes no mercado internacional, Leme revela que o custo fixo para manter o banco operando produtos para pessoas físicas em investimentos locais só se justifica com grande volume de recursos.

O banco não divulga nenhum dado sobre sua carteira de "private banking", nem porcentualmente. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), que considera as aplicações acima de R$ 1 milhão para fazer as estatísticas do setor, cerca de R$ 666 bilhões estão hoje aplicados nos segmentos de private banking no Brasil. Desse total, menos de R$ 2 bilhões, ou 0,3%, estão aplicados em investimentos no exterior.

De acordo com Fernando Valada, haverá um período de transição para que os clientes possam redirecionar seus recursos aplicados em títulos brasileiros para outros bancos ou até mesmo aumentar investimentos no exterior. A expectativa é de que o processo dure entre três e seis meses, mas o cliente pode levar o tempo que quiser para fazer essa mudança, segundo Leme.

A área de clientes private do banco nasceu em 2009 no Brasil e hoje emprega 21 pessoas. A área deverá ser reestruturada e dispensar seis ou sete pessoas, que em sua maior parte serão absorvidas por outras áreas do banco. No negócio do Goldman no Brasil, as áreas de renda fixa e renda variável para clientes institucionais e de banco de investimentos, que assessora empresas em processos de fusão e aquisição e lançamento de ações, continuam sendo a base de receitas da instituição, que no ano passado teve um lucro de R$ 120 milhões no Brasil.

Macro. A decisão de mudar sua oferta de produtos deixando de vender Brasil não teve nenhuma influência do momento brasileiro, com mercado de capitais fraco e recessão econômica, segundo Leme. Ele avalia que os investidores estrangeiros continuam interessados em Brasil, principalmente porque o valor dos ativos está mais atrativo e para esses clientes o Goldman continuará vendendo o País, ou seja, intermediando aplicações em títulos e papéis brasileiros.

Outra oportunidade vislumbrada pelo banco nessa conjuntura é a concessão de crédito, que era uma área em que o banco não tinha atuação. Segundo Leme, neste ano foram feitas duas operações, com prazos de até 20 anos.

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