Brendan McDermid/ Reuters
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Goldman recusará IPOs se todos os diretores forem homens brancos e heterossexuais

A era dos conselhos administrativos formados só por homens brancos está acabando

Bloomberg - Jeff Green, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 04h00

O CEO do Goldman Sachs Group, David Solomon, emitiu o mais recente ultimato de Davos: o maior subscritor de ofertas públicas iniciais nos EUA em Wall Street não mais tornará pública uma empresa nos EUA e na Europa se não contar com um cargo de direção que seja ocupado por mulher ou por um perfil de grupo minoritário.

A exigência é a mais recente de uma série de sinais de que a composição de conselhos sem diversidade é inaceitável. A BlackRock Inc. e a State Street Global Advisors estão votando contra diretores de empresas sem ter mulher como diretora. As empresas públicas com sede na Califórnia, com conselhos totalmente masculinos, agora enfrentam uma multa de US$ 100 mil sob uma nova lei estadual.

“É incrível”, disse Fred Foulkes, professor de administração da Questrom School of Business da Universidade de Boston. “É uma mudança sísmica. Fiquei bastante surpreso, e me pergunto o que vai acontecer agora no JPMorgan e no Morgan Stanley".

O conselho corporativo tornou-se um raro ponto positivo da diversidade de gênero e raça nos mais altos escalões dos EUA. Quase metade das vagas abertas nas empresas S&P 500 ficou com mulheres no ano passado e, pela primeira vez, elas representaram mais de um quarto de todos os diretores. Em julho, o último conselho totalmente masculino do S&P 500 nomeou uma mulher.

Ainda assim, os novos conselhos são menos diversificados: dentre os 25 principais IPOs por valor em todos os anos de 2014 a 2018, dez empresas não tinham diretoras, afirmou Malli Gero, co-fundadora e consultora sênior do 2020 Women on Boards, uma organização que se esforça para que o índice Russell 3000 tenha pelo menos 20% de mulheres diretoras em seus conselhos. 

No ano passado, a Goldman Sachs foi contratada para subscrever a oferta pública inicial de ações da WeWork, que só acrescentou uma diretora após o perspectiva inicial ter gerado críticas por ser integrado apenas por homens.

“A partir de 1º de julho nos EUA e na Europa, não aceitaremos uma empresa a menos que haja pelo menos um candidato integrante de grupos minoritários no conselho, com foco em mulheres”, ressaltou Solomon à CNBC na quinta-feira. Ele não mencionou a Ásia, que continua para trás de outras regiões quando se trata de diversidade. 

No próximo ano, o banco elevará o patamar para dois diretores de grupos de minorias, que incluem diversidade baseada em orientação sexual e identidade de gênero, disse Goldman em comunicado. O banco disse que a decisão foi tomada depois que se soube que mais de 60 empresas americanas e europeias nos últimos dois anos foram tornadas públicas sem uma mulher ou uma pessoa não-branca no seu quadro diretor. O Goldman Sachs tem quatro mulheres em seu conselho de 11 membros.

Entre as IPOs em que a Goldman Sachs foi subscritora nos últimos dois anos nos EUA e na Europa, menos de 10% atualmente possui um conselho sem um candidato de minorias, disse a empresa. Os dados não estavam disponíveis para a composição desses conselhos no momento da abertura de capital, informou a empresa.

“Percebemos que este é um pequeno passo, mas é um passo na direção de dizer: ‘Você sabe o que nós consideramos certo, pensamos que é o alerta correto e também estamos em uma posição, por causa de nossa rede’, de ajudar nossos clientes caso precisarem de colaboração para colocar as mulheres em conselhos”, destacou Solomon à CNBC.  “Portanto, este é um exemplo nosso, dizendo: ‘Como podemos fazer algo que achamos certo e ajudar a impulsionar o mercado?’”. 

O JPMorgan Chase & Co. não tem uma política semelhante à regra do Goldman Sachs, mas, desde o ano de 2016, teve um serviço de consultoria para diretores, que trabalha para ajudar as empresas a encontrarem candidatos de minorias para o conselho", confirmou a empresa em comunicado. A Morgan Stanley não respondeu aos pedidos de comentário.

"É o que os grandes investidores estão buscando nestes dias”, disse Foulkes, da Universidade de Boston, que foi diretor da Panera Bread Co. e da Bright Horizons Family Solutions. “Se o conselho tem todos os homens brancos, isso é um grande ponto negativo.” /Tradução de Claudia Bozzo

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