Goldman Sachs assumiu posição vendida no subprime, segundo executivos

Alguns diretores do banco teriam enganado os investidores em operações conhecidas como obrigações de dívida colateralizadas

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 11h38

O Subcomitê Permanente de Investigações do Senado deu início a sessão de depoimentos sobre as acusações de fraude feitas pela Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA) contra o Goldman Sachs e um de seus diretores, Fabrice Tourre, alegando que eles enganaram os investidores em operações estruturadas conhecidas como obrigações de dívida colateralizadas (CDO, em inglês).

 

Vários textos preparados dos depoimentos de executivos do Goldman foram divulgados antecipadamente esta manhã, incluindo o de Tourre, que deve negar "categoricamente" no Senado às acusações da SEC. O diretor administrativo do Goldman Sachs, Michael Swenson, testemunhará que o diretor do escritório financeiro, David Viniar, promoveu uma reunião em 2006, na qual o departamento de hipotecas do banco foi ordenado a reduzir o risco, uma vez que o mercado imobiliário começou a apresentar problemas pela primeira vez.

 

Segundo o depoimento de Viniar, o Goldman "começou a registrar um padrão diário de perdas em produtos relacionados a hipotecas subprime" em dezembro de 2006 e que, para tentar tornar a posição do banco mais segura, foram tomadas posições vendidas no mercado hipotecário. Em 2008, disse Viniar, a carteira mudou para posição comprada.

 

Michael Swenson, diretor que participou da reunião, vai dizer aos membros do Senado dos EUA que a mesa de negociação títulos lastreados em ativos foi orientada a tornar a posição do banco "mais segura", segundo uma cópia do depoimento. "Não nos disseram que rumo tomar - só para chegar lá", disse Swenson, de acordo com o texto.

 

Além de Swenson, Viniar e Tourre, o executivo-chefe do Goldman, Lloyd Blankfein e o diretor do escritório de risco, Craig Broderick - entre outros executivos do banco - devem prestam depoimento hoje no Senado. Os senadores estão tentando descobrir o papel do banco de investimento durante a crise financeira. A Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA) abriu um processo acusando o Goldman e um de seus diretores, Fabrice Torre, de fraude, alegando que eles enganaram os investidores em obrigações de dívida colateralizadas (CDO, em inglês) também vai depor.

 

Swenson vai testemunhar que o Goldman perdeu dinheiro ao reduzir o risco e manteve posições vendidas e compradas no mercado hipotecário. O banco sofreu acusações de ter assumido posições vendidas no mercado hipotecário durante o colapso das hipotecas subprime, enquanto aconselhava seus clientes a manter posições compradas no setor.

 

"A mesa de negociação títulos lastreados em ativos não tomou apenas posições vendidas, como também, na verdade, assumiu muitas posições que, em última instância, reduziram os lucros que o departamento de hipotecas poderia ter realizado", disse Swenson no texto preparado de seu depoimento. "Ao reduzir as posições vendidas, nós deixamos dinheiro em cima da mesa. Mas essa é a natureza de reduzir o risco e continuar a transacionar com clientes como um formador de mercado (market-maker)."

 

Os acionistas do Goldman Sachs abriram mais processos contra o banco na segunda-feira, acusando a empresa de não divulgar uma investigação da SEC. Pelo menos duas ações foram abertas no Tribunal Federal de Manhattan, pedindo inclusive um status de ação coletiva em nome de outros acionistas do Goldman. Um outro processo foi encaminhado contra os diretores e executivos da companhia. Ao todo, quatro processos conhecidos foram movidos por acionistas contra a Goldman Sachs desde que a SEC apresentou acusações contra o banco no dia 16. As informações são da Dow Jones.

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