KAREN BLEIER/AFP
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Goldman Sachs fará operações com bitcoins na Bolsa

Nas próximas semanas, banco começará a usar seu próprio dinheiro para operar contratos futuros na criptomoeda em nome deseus clientes

Nathaniel Popper, The New York Times

03 Maio 2018 | 18h03

SÃO FRANCISCO – Muitos bancos de grande porte têm mantido distância da bitcoin, depois dos escândalos que mancharam a imagem da moeda virtual. Mas, o Goldman Sachs, talvez o nome mais renomado no mundo das finanças, decidiu descartar os riscos e ir em frente com seus planos para criar a primeira operação de mercado com bitcoins por um banco de Wall Street.

Numa medida para dar legitimidade às moedas virtuais, o banco está prestes a usar seu próprio dinheiro para realizar negócios com clientes em várias modalidades de contratos ligados ao valor da bitcoin.

Embora inicialmente o banco não pretenda comprar nem vender bitcoins, uma equipe da instituição vem analisando essa possibilidade se conseguir aprovação dos órgãos reguladores e determinar de que modo enfrentar riscos adicionais associados à moeda virtual.

Rana Yared, um dos executivos da instituição que supervisiona a implementação das operações com bitcoins, afirmou que o banco sabe perfeitamente em que terreno está pisando.

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“Não digo que sou daquelas pessoas que acham que a bitcoin vai tomar conta o mundo. Todos os envolvidos manifestaram algum ceticismo a respeito”.

Mas, a sugestão de que o Goldman Sachs, um dos bancos mais famosos de Wall Street e alvo frequente de críticas, estaria pensando em iniciar operações com a moeda virtual, seria considerada absurda há alguns anos, quando a bitcoin era mais conhecida como forma de comprar drogas online.

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Dúvidas. A bitcoin foi criada em 2009 por um  anônimo conhecido como Satoshi Nakamato. Nos últimos dois anos um número crescente de fundos hedge e outros grandes investidores em todo o mundo passaram a se interessar pelas moedas virtuais. Empresas de tecnologia, como a Square, passaram a oferecer serviços ligados à Bitcoin para seus clientes e em dezembro as bolsas de commodities em Chicago passaram a permitir a seus clientes negociarem contratos futuros em bitcoins.

Mas até agora os órgãos de regulamentação financeira têm evitado a moeda virtual, com alguns chegando mesmo a fechar contas de clientes que negociam com ela. Jamie Dimon, diretor executivo do JP Morgan Chase, disse que a Bitcoin é uma fraude e para muitos outros executivos de bancos ela nada mais é do que uma bolha especulativa.

Rana Yared, do Goldman, disse que a instituição concluiu que a Bitcoin não é uma fraude e que não tem as características de uma moeda, mas vários clientes desejavam adquiri-la como uma commodity valiosa, similar ao ouro, diante da quantidade limitada de Bitcoins que podem ser mineradas num sistema virtual complexo criado há quase uma década.

Segundo Yared, o banco foi procurado por fundos de hedge e também por fundações e fundos patrimoniais que receberam doações em moeda virtual de milionários e não sabiam como lidar com elas. A decisão final de começar a operar contratos em Bitcoins foi aprovada pela direção do Goldman.

É uma decisão que envolve muitas incertezas. Os preços da moeda são determinados principalmente por bolsas não regulamentadas em outros países onde poucas medidas estão em vigor para evitar uma manipulação do mercado.

Desde o início do ano o preço da Bitcoin despencou – e se recuperou muito bem – quando os operadores foram tomados pela incerteza sobre como os órgãos reguladores tratariam as moedas virtuais.

“Não é um novo risco que não conhecemos. É apenas um risco aumentado, o que significa que devemos estar mais atentos a respeito”.

Nas próximas semanas – a data exata não foi determinada ainda – o Goldman começará a usar seu próprio dinheiro para operar contratos futuros em bitcoins em nome dos seus clientes. E criará sua própria versão, mais flexível, de um contrato futuro, conhecido como “nonderivable forward (Contrato a termo de moeda sem entrega física), que vai oferecer aos clientes.

O primeiro operador de “ativo digital” do banco, Justin Schmidt, ingressou no Goldman há duas semanas para cuidar das operações do dia a dia, uma contratação que foi noticiada pelo Tearsheet. Em seu último emprego Schmidt, 38 anos, foi operador eletrônico no fundo de hedge Seven Eight Capital. Em 2017 passou a negociar por conta própria com moedas virtuais.

Ele de início cuidará do setor de moeda estrangeira do Goldman, porque as operações om Bitcoins têm muita semelhança com os movimentos em moedas de mercados emergentes, disse Yared.

Schmidt supervisionará as operações com Bitoins reais, ou bitcoins físicas, como são chamadas ironicamente – se o banco obtiver aprovação do Federal Reserve e das autoridades nova-iorquinas.

O banco também terá de encontrar uma maneira de, com segurança, proteger as Bitcoins dos clientes para não serem roubadas por hackers, como ocorreu em muitos casos. Schmidit e Yared afirmaram que as atuais opções de guarda da moeda virtual para clientes ainda não atendem aos critérios de Wall Sreet./Tradução de Terezinha Martino

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