Goldman Sachs vê temor crescente de ‘insolvência fiscal’

Após visita ao Brasil, diretor de pesquisas do banco divulgou relatório em que fala do sentimento local negativo e da visão de que as coisas ainda vão piorar antes de melhorar

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 07h27

O banco americano Goldman Sachs divulgou um preocupante relatório sobre o Brasil. Após uma viagem ao País, o diretor de pesquisas para a América Latina, Alberto Ramos, diz que o sentimento local está bastante negativo, dada a deterioração macroeconômica, política e social. Nesse cenário, a visão dominante é de que as coisas ainda vão piorar antes de melhorar.

“Há uma crescente percepção entre investidores locais e analistas de que o Brasil está em uma trajetória que pode eventualmente levar à insolvência fiscal no médio prazo e a principal preocupação é que as autoridades ainda não mostraram forte vontade ou poder político para lidar de maneira bem-sucedida com esses crescentes desafios”, diz o texto.

Ramos aponta que se encontrou com altas autoridades do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do BNDES e da Petrobrás. “No geral, nós percebemos na nossa reunião com autoridades do governo central uma inquietante falta de senso de urgência sobre a questão fiscal e uma estratégia fiscal de curto e médio prazo algo obscura e inadequada”, diz o economista.

O relatório do Goldman Sachs diz ainda que, enfrentando um crescente isolamento político, descontentamento popular e pressões dos parceiros de base aliada, “o governo parece estar voltando gradualmente para a heterodoxia fiscal e ativismo de crédito”, algo que deterioraria ainda mais o sentimento e o contexto macroeconômico e fiscal.

O banco afirma que lidar com os desequilíbrios fiscais é muito difícil, já que a economia não aguenta mais aumentos na carga tributária e cortar gastos é complicado por causa da rigidez orçamentária, além da falta de vontade política de reduzir o tamanho do setor público. “Assim, os investidores locais veem um maior risco de que, se não resolvidos, os receios sobre a sustentabilidade da dívida podem eventualmente se tornar muito perturbadores e desencadear desdobramentos macroeconômicos e financeiros adversos, com claro impacto negativo no câmbio e na inflação.”

O relatório aponta que o PIB brasileiro deve cair entre 3% e 4% este ano, “com alguns analistas locais agora flertando com -5%”. Enquanto isso, o governo tem uma previsão mais otimista, especialmente para o segundo semestre. Para 2017 e adiante, as projeções não são claras, em função das elevadas incertezas políticas e econômicas.

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