Golpistas estão clonando folhas de cheques

Estelionatários desenvolveram um novo golpe: a clonagem de cheques. A perfeição das falsificações vai da qualidade da impressão aos detalhes das assinaturas. Segundo o delegado-titular da Delegacia de Estelionato, Manuel Camassa, a clonagem de folhas de cheques é um crime novo.A empresária Christina Carneiro levou um susto ao retornar de suas férias e verificar que um cheque de aproximadamente R$ 25 mil foi descontado irregularmente da conta de sua empresa. A surpresa maior, no entanto, foi quando ela resolveu conferir o número do cheque e descobriu que ele jamais havia saído do talão, guardado dentro de seu cofre. Ao comunicar o equívoco no banco, chegou-se ao veredicto: depois dos cartões de crédito e dos celulares, os bandidos estão clonando folhas de talões de cheques. Não foi a primeira vez que o golpe foi aplicado. Junto com o saque do cheque administrativo, o estelionatário efetuou na conta corrente da empresária dois depósitos com cheques clonados. O primeiro, no valor de R$ 4.730, pertencia à uma rede francesa de lavanderia que também foi vítima do golpe em setembro do ano passado. O outro, de R$ 2.920, era de uma pessoa física e retornou por não ter fundos. Apesar disso, Christina questiona a forma como o banco Banespa procedeu no seu caso. "Antes de sair de férias, avisei pessoalmente ao gerente todos os pagamentos que seriam efetuados no período. Além disso, um dos números de leitura eletrônica não batia com o do cheque original, o que deveria ter impedido o pagamento", reclamou a cliente. Segundo ela, o banco demorou cerca de três semanas para reembolsá-la do prejuízo. Procurado pela reportagem, o Banespa não quis comentar o ocorrido. Golpe de R$ 58 milO golpe também atingiu uma conhecida indústria do ramo de cosméticos, que preferiu não ter seu nome divulgado. "Vamos manter nosso nome em sigilo, pois estamos concluindo um acordo com o banco e não queremos que nada atrapalhe a devolução do dinheiro", comentou o advogado Paulo Lacintra, que está cuidando do caso para a empresa. De acordo com ele, o falsário depositou o cheque clonado no valor de R$ 58 mil em uma conta corrente do Rio de Janeiro, mas conseguiu resgatar apenas R$ 33 mil. "O banco tenta agora encontrar alguma pista que ajude a identificar o falsificador", afirmou o advogado. Golpe é novidade para PolíciaPara Camassa, a cópia das informações de um cheque só podem ser realizadas no caso de um roubo no almoxarifado do banco ou se houver a participação de funcionários de um dos lados envolvidos. "Em todo crime patrimonial, o estelionatário possui alguma ligação com a vítima." O delegado lembra ainda que o cliente não pode ser responsabilizado por crimes como esse. "O falsário sempre conta com o cochilo bancário e o cliente não tem de arcar com o prejuízo". A Delegacia de Estelionato registra diariamente problemas envolvendo cheques. O mais comum é a pessoa deixar espaços no preenchimento que permitem ao falsário aumentar o valor original. Outro golpe bastante freqüente é a "lavagem" do cheque. "Eles alteram as inscrições do cheque com produtos químicos ou usam uma caneta de tinta que pode ser apagada", revela Camassa, lembrando que a melhor forma para se proteger é não efetuar pagamentos de baixo valor com cheques, fazer um histórico atrás da folha e nunca aceitar caneta de terceiros.

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