González diz que assumiu com mesma reação de mercado que Lula

O ex-primeiro ministro da Espanha Filipe González afirmou que o mercado está tendo com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a mesma reação de muita desconfiança e expectativa que teve há 20 anos, quando ele assumiu o governo espanhol, sem nenhuma experiência administrativa, assim como Lula. Ele contou que fez uma política de liberalização que incluiu privatização de infra-estrutura e distribuição de renda. De lá para cá, a Espanha deixou de ser um país emergente e "assumiu uma certa centralidade", disse. Segundo González, a transferência de recursos para o país feitos pela União Européia (UE) tiveram importância neste processo, porém menor que as política adotadas.O político fez uma enorme defesa da distribuição de renda, dizendo que o painel de que está participando no momento deveria ter como tema se é possível o crescimento sem redistribuição de renda, e não se é possível crescimento com igualdade social. "Não sou economista, Deus me livre. Mas nem um só país emergente passou a país central e a Espanha não é exceção se não fez liberalização comercial com eqüidade social e redistribuição de renda". Ele defendeu mudanças na arquitetura financeira mundial. Para ele, as instituições multilaterais deveriam busca planos de desenvolvimento e não de ajuste. Ele observou que o Banco Mundial (Bird) busca o desenvolvimento, mas tem menos recursos para todo o mundo do que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem para o Brasil. "Por isso o Fundo (Monetário Internacional) é quem manda, e a condição para trabalhar em um organismo tão sério é não pensar por conta própria", afirmou, acrescentando que tem muitos amigos no Fundo. González disse ainda que a maioria das empresas que privatizou tinham origem em ações do Estado, como o hospital de empresas privadas que fracassaram, e por isso foram estatizadas. González participa da Cúpula de Negócios da América Latina, promovida pelo Fórum Econômico Mundial no Rio de Janeiro.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 11h16

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