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Google assume a dianteira

Empresa segue a estratégia da Apple e dá importante passo para avançar no Vale do Silício

Pedro Doria, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 05h00

Em grande parte, a imprensa pelo mundo tratou o evento do Google na terça-feira como o lançamento de uns smartphones bacanas e alguns outros aparelhos. É muito mais do que isso. Na terça, o Google anunciou ao mundo que se reinventou, apresentou uma estratégia clara e, possivelmente, se tornou a empresa dominante do Vale do Silício nos próximos anos. No mínimo, obrigará suas principais concorrentes a se mexer.

Fez tudo isso adotando a estratégia da Apple.

A empresa conhecida por produzir tanto o hardware quanto o software num pacote único e integrado é a Apple. Há vantagens. Se máquina e programas são feitos pelo mesmo grupo, o primeiro resultado é estabilidade. Não há conflitos ou desgastes. É possível usar a bateria ao máximo, fazer pequenas economias e, com bom time de design, levar ao mercado um produto único, palpavelmente sólido. Produtos Apple são assim.

A Apple busca elegância e simplicidade. São máquinas fáceis de entender e de usar, elementos fundamentais para a popularização dos smartphones.

O Google, com a estratégia da integração, dá um passo além. O produto mais importante lançado na terça não foi nenhuma máquina. Foi o Assistente Google. É um software ambicioso. Pretende saber tudo de sua vida. Seu gosto musical, que você gosta das luzes de casa mais tênues quando passa das 20h, e que seu amigo Fulano chega de viagem na terça-feira.

A automação de nossas vidas acaba de começar e o Google é a primeira empresa a dar um passo a frente oferecendo uma solução. Em poucos anos, os pequenos problemas do cotidiano começarão a ser resolvidos, a lista de compras do mês ficará mais simples, até manter em dia a conta bancária será mais simples.

Mais do que isso: controlaremos tudo através da nossa voz.

Por trás está um dos conceitos mais importantes da tecnologia corrente: machine learning. A máquina que aprende. Ser o primeiro dá ao Google uma imensa vantagem. Este Assistente ficará bom e melhor conforme mais pessoas interajam com ele. Quanto mais problemas aprende a resolver, melhor treinados ficam os assistentes de todos. Porque seu sistema chegará primeiro, terá um tempo de maturidade que faltará aos outros.

Celulares, uma torre de som, interface via Chromecast com a televisão, óculos de realidade virtual, todos produtos anunciados esta semana. Em comum está o fato de que se integram uns com os outros, com o Gmail e a agenda, com os GPSs da vida, com o browser Chrome. Futuramente, com o carro autônomo. Os primeiros a usar certamente não serão pessoas que se melindram com tanta informação pessoal nas mãos de uma só companhia.

Mas este é o futuro que o Google imagina, um futuro que bem se aproxima do que, até há pouco, parecia ficção científica. As lâmpadas inteligentes para regular a iluminação já existem no mercado americano, assim como serviços tipo Spotify já oferecem integração pelo sistema Android. Na TV, tanto Netflix quanto Globo Play são compatíveis com Chromecast. As possibilidades imediatas de ajuste da casa e dos hábitos de entretenimento à plataforma já funcionam.

O Facebook tem planos com realidade virtual, Apple com assistentes, Amazon e Microsoft também. Neste ambiente ultracompetitivo, último a chegar corre o risco de ficar de fora.

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