Google compra Waze e recoloca Israel no mapa da tecnologia mundial

Compra do aplicativo Waze pelo Google chama atenção para as startups israelenses, que agora se voltam para o mercado de consumo

JOSEF FEDERMAN, MAX J. ROSENTHAL , JERUSALÉM , ASSOCIATED PRESS, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2013 | 02h10

A compra do aplicativo israelense Waze pelo Google por US$ 1,03 bilhão é um marco importante para o país que costuma se autoproclamar uma "Nação Startup". A aquisição não está apenas entre os valores mais altos já vistos para uma startup de Israel. Ela também consolida uma recente investida do setor de alta tecnologia local num mercado de consumo em rápida expansão.

"Acredito que é um grande avanço", disse Erel Margalit, um conhecido empresário israelense e parlamentar da oposição. "Israel não é mais apenas um centro de pesquisa e desenvolvimento. É uma central de criação."

O popular aplicativo para smartphone Waze combina software de navegação GPS com recursos de rede social, permitindo que usuários melhorem as informações sobre o trânsito. Depois de negociações do Waze com o Facebook e a Apple, o Google venceu os rivais na disputa.

 

O premiê israelense Binyamin Netanyahu telefonou para o CEO do Waze, Noam Bardin, para cumprimentá-lo. "Você alcançou a meta", disse Netanyahu. "Recolocou a tecnologia israelenses no cenário mundial."

Carente de recursos naturais, Israel tem incentivado uma cultura de alta tecnologia nas últimas décadas. O país é um destino popular de fundos investimento e ostenta uma das maiores variedades de empresas negociadas na Nasdaq.

Mercado. As maiores empresas de tecnologia do mundo, entre as quais Microsoft, Google e Intel, mantêm grandes operações de pesquisa e desenvolvimento no país. Entre os avanços mais conhecidos na área de alta tecnologia já feitos em Israel, estão tecnologias para telefones celulares, a internet Wi-Fi, serviços de mensagem instantâneos e pen drives.

Segundo o Departamento Central de Estatísticas, a fonte oficial de dados econômicos de Israel, o setor de tecnologia corresponde a pouco mais de um quarto das exportações do país.

O departamento usa uma definição internacionalmente reconhecida que exclui tanto empresas de biotecnologia como de internet. Quando essas companhias são incluídas, as empresas de tecnologia correspondem aproximadamente à metade das exportações.

A compra do Waze está entre as maiores vendas de uma empresa privada da história israelense. Em 2000, no auge da bolha de alta tecnologia, a israelense Chromatis Networks foi adquirida pela Lucent Technologies por US$ 4,5 bilhões. A Lucent fechou a empresa um ano depois. No ano passado, a norte-americana Cisco comprou a empresa de software de vídeo israelense NDS por US$ 5 bilhões.

Margalit disse que até recentemente as empresas de tecnologia israelenses se concentravam no desenvolvimento de inovações para grandes empresas de telecomunicações e outras gigantes de tecnologia internacionais. A aquisição de um aplicativo focado no consumidor como o Waze mostra que a cultura de startup de Israel está "viva e bem", disse ele.

"Quando Israel se envolve também na criação de importantes aplicativos para consumidores, isso significa que outras áreas estão crescendo", afirmou Margalit. Hoje, as startups israelenses empregam não somente engenheiros, mas também designers de jogos, animadores, artistas gráficos e escritores.

A virada para o setor de consumo pode trazer um leque mais amplo de empregos. O Google concordou em deixar as operações do Waze em Israel. "Estou certo de que ele vai ser uma empresa muito importante para o Google", disse o investidor em tecnologia Yossi Vardi. "É apenas o começo desse espaço." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.