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Google faz restrições e limita criação de aplicativos para o Glass

Diretrizes anunciadas pela empresa impedem a publicação de anúncios dentro de aplicativos para os óculos digitais

CLAIRE CAIN MILLER , NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h10

O elemento sedutor do iPhone não foi seu metal escovado ou sua brilhante tela sensível ao toque, mas sim os aplicativos (apps) que transformaram o aparelho em qualquer coisa - de flauta a lanterna. Agora, o Google espera que os apps façam o mesmo com o Google Glass, seus óculos conectados à internet.

Na segunda-feira à noite, a companhia anunciou uma extensa lista de diretrizes para os desenvolvedores de software que querem criar um app para o Glass. Com essas regras, a empresa parece tomar emprestada uma página do manual da Apple, pois se mostra muito mais restritiva com os óculos do que com outros produtos - em particular, o sistema operacional Android. Desta vez, a companhia está controlando o tipo de app criado.

Analistas dizem que isso ocorre, em grande parte, porque o Google quer apresentar a tecnologia aos poucos ao público, para lidar nesse primeiro momento com preocupações como privacidade. "Desenvolvedores são cruciais para o futuro do Glass, e nós estamos comprometidos com a criação de um ecossistema bem-sucedido para eles e para os usuários do Glass", disse Jay Nancarrow, porta-voz do Google.

Para começar, os desenvolvedores não podem vender anúncios nos aplicativos, coletar dados de usuários para anunciantes ou compartilhá-los com empresas de publicidade. Eles também não podem cobrar pelos apps ou por mercadorias virtuais dentro dos apps.

Muitos desenvolvedores esperam que o Google permita que eles algum dia vendam apps e anúncios. Mas Sarah Rotman Epps, analista da consultoria Forrester que estuda computação para vestir, diz que o Google foi inteligente ao limitar a publicidade. "O que nós percebemos é que, quanto mais íntimo o aparelho, mais intrusiva seria a publicidade para os consumidores." Ainda assim, ela diz que muitos usuários gostariam de interagir com marcas no Glass, como um banco que mostre o extrato durante uma compra.

Na terça-feira, o Google começou a vender os primeiros óculos por US$ 1,5 mil aos desenvolvedores que fizeram cadastro anteriormente. Alguns deles se disseram desapontados com as restrições. "É algo que dá a eles muito controle sobre a experiência", disse Frank Carey, desenvolvedor e estudante de Ciência da Computação. Durante evento do Google, Carey criou um app para marcar pessoas que o usuário conhece em festas e anotar detalhes sobre elas. Na próxima vez que o usuário encontrar a pessoa marcada, pode acessar discretamente esses dados.

Novos 'apps'. Outros desenvolvedores disseram que faz sentido para Google tomar mais cuidado com o Glass do que com os celulares porque os óculos estão sempre no campo de visão dos usuários. "Você não leva o seu laptop para o banheiro, mas você está sempre vestindo o Glass", disse Chad Sahlhoff, um desenvolvedor de São Francisco.

Sahlhoff disse que queria criar apps para marceneiros, para que pudessem ver os modelos dos objetos sem precisar tirar os olhos das máquinas, além de outro app para que motoristas pudessem ver os limites de velocidades das vias e também pontos de interesse sem tirar os olhos da rua.

Até agora, as únicas pessoas que usaram os óculos por mais tempo são funcionários do Google e desenvolvedores de software - pessoas que não veem problemas em adotar as tecnologias mais recentes.

Mas o Google tem dito aos desenvolvedores para que mirem no público em geral. A empresa tem os orientado para que se certifiquem de que os apps não enviem muitas atualizações e que evitem fazer algo que os consumidores não estão esperando. "Seja honesto sobre o propósito do seu app, sobre o que você vai fazer em favor do usuário e tenha permissão explícita dele antes de fazer algo", disse o Google.

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