Google mapeia fazendas que recebem subsídios na Europa

Projeto em parceria com a Farm Subsidies já foi colocado em prática na Suécia e será expandido a outros países

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

05 de junho de 2008 | 12h16

Com a inusitada ajuda da gigante Google, a caixa-preta dos subsídios agrícolas começa a ser rompida. Por meio da tecnologia e da Internet, qualquer um pode agora saber para onde vão os bilionários subsídios europeus. A Google e um grupo de ativistas, a Farm Subsidies, mapearam quem recebe a ajuda estatal para produzir alimentos na Suécia e concluíram algo ainda mais inusitado: muitos dos recipientes dos recursos não vivem no campo, mas em grandes cidades e mesmo no centro da capital do país.   Veja também:  Mapa das fazendas que recebem subsídios    O projeto espera ser expandido para outros países para revelar ao público para onde vai metade do orçamento da Comissão Européia. Mas muitos países ainda mantêm os dados sobre os beneficiários dos subsídios em sigilo total. No total, os europeus destinam cerca de 53 bilhões de euros por ano em subsídios, ou 1 bilhão de euros por semana.   O governo brasileiro insiste que a crise alimentar mundial ocorre em parte por causa dos subsídios agrícolas que, por anos, distorceram os mercados internacionais e impediram investimentos nos países pobres. Nas negociações internacionais, o tema do corte dos subsídios é o mais delicado, já que toca na capacidade dos governos de convencer seus grupos de aliados a deixarem de receber ajuda estatal. Em alguns casos, isso significa a perda de votos.   Os mapas da Google mostram todas as fazendas que, desde 2000, receberam subsídios para a produção agrícola. No total, 7 bilhões de euros foram distribuídos. O instrumento permite que um simples clique com o mouse do computador sobre o mapa informe o nome da pessoa que recebeu os subsídios, por quanto tempo e o valor.   Uma das constatações mais surpreendentes foi de que uma parte significativa dos subsídios vai para pessoas que moram na realidade em grandes cidades. Em Estocolmo, por exemplo, moradores da cidade antiga estão na lista dos que se beneficiaram. Um deles, segundo o mapa, é Alexander Oxenstierna. Ele sozinho recebeu mais de 200 mil euros em subsídios. Outros, com endereço na beira dos chiques canais de Estocolmo, também receberam valores entre 6 mil euros e mais de 100 mil euros.   No caso da Suécia, porém, o trabalho de mapear as fazendas foi relativamente fácil. O país é o mais transparente em termos de acesso às informações de seus gastos públicos.   Nos próximos meses, os demais governos europeus serão obrigados a romper com o sigilo e divulgar quem são os fazendeiros que recebem os recursos. Em muitos casos, porém, o dinheiro vai para empresas multinacionais que não querem ser identificadas como as beneficiárias da ajuda estatal.   Na Europa, uma pressão cada vez mais forte é feita para que se divulgue quem são os beneficiários dos subsídios. Países como a Inglaterra e Suécia estimam que a UE deveria cortar de forma dramática a ajuda a um setor que representa apenas 4% da população economicamente ativa.   Resistência    A França, que presidirá o bloco a partir de julho, já deixou claro que vai resistir à qualquer proposta de corte de subsídios. "A crise nos alimentos nos dá razão e por isso vamos pressionar para que nossa capacidade de produção seja preservada", afirmou Michel Barnier, ministro da Agricultura da França.   As associações de fazendeiros alegam que não vão aceitar um corte da ajuda, mesmo com o boom no setor agrícola. "Não está na hora de reduzir os subsídios", afirmou o vice-presidente da Cooperativa de Produtos Agrícolas da Europa, Gerd Sonnleitner.

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