Google pode pagar por conteúdo na Alemanha

Parlamento alemão deve votar hoje projeto de lei obrigando o Google a remunerar jornais pelo conteúdo que utiliza

REUTERS / BERLIM, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h05

O parlamento alemão deve votar hoje um projeto de lei que obriga os sites de busca, como o Google, a pagarem as empresas jornalísticas pelo conteúdo que utilizam. O projeto veio do próprio gabinete da chanceler alemã Angela Merkel - a ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, é a responsável pelo projeto de lei.

Na Alemanha, como no resto do mundo, há uma grande discussão sobre o uso do conteúdo dos jornais na internet sem qualquer remuneração aos donos das informações. No Brasil, os jornais decidiram no ano passado abandonar o serviço Google News, por não receberem nenhuma remuneração pelo uso do conteúdo. A decisão teve grande repercussão em outros países.

Os defensores do projeto de lei alemão afirmam que as editoras de jornais devem ter direito de cobrar parte das receitas de publicidade obtidas pelos sites de busca que utilizam seu conteúdo. As empresas querem ter mais autoridade para controlar como seus artigos são usados na internet e poder cobrar dos buscadores a exibição de artigos ou extratos de matérias.

O acesso gratuito na internet às informações produzidas pelos jornais é apontado como um dos responsáveis pela queda nas vendas dos grandes jornais alemães.

O Google reagiu ao projeto de lei com uma campanha que vem provocando polêmica na Alemanha. Na terça-feira, a empresa colocou anúncios em jornais alemães contra o projeto e lançou um site chamado "Defenda sua Web".

A campanha deixou, porém, indignados alguns membros da coalizão de governo de Angela Merkel. "A campanha lançada pelo Google é propaganda barata", disseram os parlamentares conservadores Guenter Krings e Ansgar Heveling. "Só a aparência é de um suposto projeto de defesa da liberdade da internet. Esta é uma tentativa para cooptar os usuários para se juntarem ao seu grupo de pressão", disseram os dois parlamentares, num comunicado.

Lobistas do setor de internet, por sua vez, dizem que estão preocupados que o projeto de lei possa criar um precedente para outros países, como França e Itália, que têm manifestado interesse em que o Google pague as empresas jornalísticas pelo direito de mostrar extratos de notícias nos seus resultados de busca.

"Esta lei afetará todos os usuários de internet na Alemanha", disse Stefan Tweraser, diretor da Google para a Alemanha. "Um direito autoral subsidiário significará menos informação para os consumidores e custos mais altos para as empresas."

"Esta ação do Google visando espalhar o pânico não tem justificativa", declarou a associação alemã de jornais, em um comunicado.

"O argumento utilizado pelas empresas como o Google de que a busca de notícias na internet ficará mais difícil não é sério. O uso, a leitura, o acompanhamento de links por particulares será possível como antes", disse a entidade. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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