Google vai demitir 220 na fábrica da Motorola no Brasil

Cortes fazem parte da estratégia anunciada na segunda-feira, que prevê 4 mil demissões em todo o mundo

RICARDO BRANDT, ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h04

Duzentos e vinte funcionários da Motorola Mobility, em Jaguariúna (SP), aguardam a comunicado de demissão nos próximos dias, dentro do pacote de 4 mil dispensas - anunciado na segunda-feira - que acontecerão pelo mundo, após a compra da empresa pelo Google. O gigante das buscas tenta reestruturar a fabricante de celulares que por anos dominou o mercado, tirando de circulação alguns modelos convencionais e entrando com força na área de smartphones - hoje liderada por Apple e Samsung.

No Brasil, as dispensas foram confirmadas ao Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna e Região (SindMetal) na própria segunda-feira.

Elas vão reduzir em 8% o número de trabalhadores na fábrica de Jaguariúna, a única planta de produção no País. No escritório da Motorola, em São Paulo, não foram confirmadas demissões. Os cortes na fábrica do interior atingirão, segundo o sindicato, as áreas administrativas e de engenharia e os supervisores das áreas de produção.

"Hoje (ontem) não recebemos notícias de dispensas ainda. Mas sabemos que haverá o corte e estamos na expectativa, porque ninguém sabe quem vai para a rua", afirmou Cesar Cardoso, funcionário da Motorola em Jaguariúna - onde trabalham 2,6 mil pessoas.

Benefícios. A Motorola e o SindMetal assinaram na quarta-feira um acordo coletivo, que prevê um pacote especial de benefícios para os demitidos até o dia 14 de setembro.

O plano inclui indenização correspondente a 50% do salário-base por cada ano completo de contrato de trabalho do empregado, sendo que cada um poderá receber, no máximo, cinco salários. A proposta inicial do Google era pagar 20% do salário por ano trabalhado. Foi concedida também a extensão por quatro meses do plano médico para os demitidos.

O presidente do SindMetal, José Francisco Salvino, afirmou que foi proposta a criação de um plano de demissão voluntária (PDV) para a empresa, mas seus diretores teriam informado "que a ordem vinda dos Estados Unidos era clara". "Diante da inevitável dispensa coletiva dos 220 trabalhadores, passamos a negociar m pacote de benefícios para minimizar o estrago", disse Salvino.

A Motorola divulgou comunicado em que informa que "dois terços da redução ocorrerão fora dos Estados Unidos" e que o "Brasil continua a ser um importante mercado para a Motorola Mobility". Lembrou ainda que se comprometerá a ajudar os demitidos "oferecendo um pacote de indenizações, além de serviços de recolocação profissional".

Segundo a empresa, os cortes no mundo devem ajudar a Motorola a retomar sua lucratividade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.