Werther Santana/AE
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Google vira alvo e perde ''mão de obra'' para rivais

Vista há poucos anos como quem mudava o mercado, a gigante das buscas tem agora de se defender dos concorrentes

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Há poucos anos, o Google era visto como a empresa que revolucionava o mercado de tecnologia e ameaçava as companhias estabelecidas. Hoje, transformou-se no gigante atacado por todas as companhias mais novas, e que luta para reter seus talentos. Fora do Brasil, a imprensa especializada já discute a "drenagem de cérebros" do Google, que perde funcionários para companhias como o Facebook e o Twitter.

Ontem, Dennis Woodside, vice-presidente sênior para Américas do Google, confirmou a chegada de Fábio Coelho, ex-presidente do iG, como diretor-geral da subsidiária. A vaga estava em aberto desde setembro de 2010, quando Alex Dias deixou a empresa de internet para comandar a Anhanguera Educacional.

Na semana passada, o Google perdeu Alexandre Hohagen, seu vice-presidente para a América Latina, que assumiu esta semana a vice-presidência de Vendas para a América Latina do Facebook. Hohagen foi o responsável por estruturar a operação do Google no Brasil, e deve fazer o mesmo pelo concorrente Facebook. O Google ainda procura um substituto para Hohagen.

"O Google, de várias formas, ainda é o líder em direcionar a inovação em escala massiva", disse Woodside. "O melhor time de futebol é sempre aquele que as pessoas querem vencer. Acreditamos que a internet está em crescimento e que existem muitas pessoas conectadas. Isso incentiva o surgimento de novos modelos de negócios. Muitos empreendedores surgem com ótimas ideias. Isso é bom para os consumidores. Muitas dessas empresas anunciam com o Google, o que é ótimo."

Predomínio. O Google já é uma empresa de mais de 12 anos, tendo faturado US$ 29 bilhões no ano passado. A empresa está hoje na mesma posição que a Microsoft na década de 1990 ou a IBM na década de 1970. As empresas nascentes querem um pedaço de seu mercado e querem ser o novo Google. Governos do mundo inteiro se preocupam com sua predominância de mercado.

Essa situação reflete a importância do Google. A empresa continua registrando um crescimento forte, em particular no Brasil. No ano passado, a receita da companhia no País aumentou 80%. A empresa conta com 250 funcionários locais e planeja crescer em 50% sua força de trabalho este ano.

Fábio Coelho, o novo diretor-geral para o País, não participou ontem da entrevista coletiva em que Woodside confirmou sua contratação. Segundo o vice-presidente do Google, Coelho teve uma reunião na terça-feira com a equipe e só assumirá o cargo na semana que vem.

Ele disse que, entre as tarefas do novo diretor-geral, está analisar "mais ativamente" as possibilidades de aquisições no País. Em 2005, o Google comprou a mineira Akwan, que se transformou no centro de pesquisa e desenvolvimento da companhia no Brasil.

Mudança. Fora do Brasil, o Google perdeu, nos últimos meses, Matt Papakipos, que era diretor de engenharia do sistema operacional Chrome Os; Lars Rasmussen, cofundador do Google Maps e um dos criadores do Google Wave; e Erick Tseng, gerente sênior de produto do sistema operacional Android. Os três foram para o Facebook. Em novembro, o jornal The New York Times publicou uma reportagem dizendo que pelo menos 142 funcionários do Facebook eram oriundos do Google.

Mesmo ocupando posições de destaque nas listas de melhores lugares para trabalhar, o Google perde funcionários. "Acho que é um resultado natural de o Google ter sucesso e ser um líder", disse Woodside.

PRIORIDADES

Buscas

O Google precisa proteger o que hoje é o seu principal mercado.

Mobilidade

O Android, do Google, é o principal concorrente da Apple.

Vídeo

Neste mercado de crescimento forte, a empresa é dona do YouTube.

Computação em nuvem

Os serviços via internet são o lado "corporativo" do grupo.

Mídia social

O Facebook pode ser visto hoje como o maior rival do Google.

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