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Googledome ou templo da perdição?

Assim como a Google, empresas do Vale do Silício investem em edifícios luxuosos para atrair e reter talentos

The Economist

08 de março de 2015 | 02h05

Marc Andressen conhece algumas coisas sobre a predileção do Vale do Silício por símbolos de status e para se vangloriar. Como empreendedor e capitalista de risco, Andreessen ajudou a transformar alguns peixes pequenos em gigantes da alta tecnologia. Como investidor, ele participa atualmente de conselhos administrativos de empresas como Facebook e da Hewlett-Packard, entre outras. Ao mesmo tempo que evita pecados capitais como uma abertura de capital muito cedo e o excesso de avidez pelo lucro, Andreessen é inflexível no sentido de que as empresas em que investe devem se abster todo o custo de aplicar enormes somas de dinheiro em novas sedes glamourosas.

O Vale do Silício não inventou o grande complexo de escritórios. A compulsão para construir monumentos ao poder e prestígio de um dirigente existe desde o começo da história. Mas com o caixa repleto e as taxas de juro próximas do zero, os líderes do Vale estão competindo entre si para ver quem consegue construir o edifício mais luxuoso, alimentar seus egos corporativos e também atrair e reter talentos.

Não obstante as premonições de Andreessen, o novo West Campus do Facebook em Menlo Park possui uma área para piqueniques na cobertura do prédio de 36 mil metros quadrados e um túnel sob a via expressa adjacente para conectar o novo edifício à sede existente da empresa. Os funcionários mudarão na metade deste ano para o que deverá ser o maior escritório sem divisórias do mundo.

Em 27 de fevereiro a Google entrou com pedido de alvará para ampliar seu campus em Mountain View. O local com 230.000 metros quadrados será coberto por estruturas similares a toldos que podem ser reorganizadas atendendo às necessidades em constante mudança.

A nova sede de quatro andares da Apple, com formato de uma rosquinha e que parece mais uma nave espacial alienígena e se esconde sinistramente numa floresta de 6 mil árvores recém-plantadas, está em construção em Cupertino. Essa "nave-mãe" que, segundo se especula, teve um custo que superou os US$ 5 bilhões, será dois terços o tamanho do Pentágono e abrigará 12 mil empregados quando for inaugurada no próximo ano.

Não vimos tamanha azáfama em termos de construções no Vale desde os dias gloriosos do boom das Pontocom na década de 90. Empresas como a Sun Microsystems, Silicon Graphics, Excite e Borland Software construíram conjuntos de escritórios imponentes antes da explosão da bolha das empresas de tecnologia.

Por coincidência, o índice composto Nasdaq esta semana foi a 5 mil pontos pela primeira vez desde março de 2000, quando atingiu seu pico de 5.048. Em outubro de 2002 caiu para 1.114 pontos e muitos palácios de vidro do Vale do Silício ficaram vazios em consequência.

Como ocorre em cada boom, os otimistas afirmam que desta vez é diferente. No auge do frenesi das Pontocom, as ações das empresas registradas na Nasdaq eram negociadas a um valor 50 vezes maior do que seu lucro por ação. Agora a proporção é mais realista, chegando a 18 vezes o valor.

Google, Apple e Facebook são empresas altamente lucrativas e provavelmente assim continuarão. Mas um nova-iorquino olhando para os prédios da Pan Am, Chrisler e General Motors vai lembrar, melancolicamente, que outrora o mesmo era afirmado no caso desses titãs vencidos.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR TEREZINHA MARTIN, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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