''Gosto muito do que faço, mas não levo trabalho para casa''

Quando era estagiário na Nestlé, Ivan Zurita disse ao presidente da subsidiária brasileira à época, Alexander Mahler, que seu objetivo era ocupar a cadeira dele. A meta ousada se tornou realidade em 2001. Mas, depois de 37 anos de serviços prestados para a empresa, 17 e meio deles fora do País, Zurita admite que os sonhos de hoje são mais modestos: quando se aposentar, ele afirma que vai recusar convites para participar do conselho e vai se dedicar à família e à fazenda que possui em Araras, no interior paulista.

Leticia Bragaglia, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

O sr. está há 37 anos na mesma empresa e, numa carreira de sucesso como essa, é natural que surja a possibilidade de ir para a direção geral na Suíça. Como vê essa possibilidade?

Já fui convidado a ir para a Suíça, mas acho que tudo tem um tempo. Não posso dizer que não vou; mas podendo não ir, eu prefiro. É importante colocar uma pessoa que venha refrescada, com uma outra cabeça, e cumpra uma nova etapa na companhia. A substituição é importante em qualquer tipo de atividade, e a gente tem de ter a consciência e perceber quando não está agregando mais. Se eu puder, prefiro ficar aqui. E existe um timing na vida. Se fosse alguns anos atrás, iria com muito prazer. Hoje já não tenho essa vontade. Meu maior prazer é ver a empresa consolidada, pessoas que trabalharam comigo alcançando postos importantes.

O sr. é um workaholic?

Eu gosto do que eu faço e às vezes exagero nas horas trabalhadas, mas sei quando passo do limite. É preciso ter essa consciência. Não levo trabalho para casa: o que não dá para fazer aqui no escritório fica aqui. Posso chegar no dia seguinte mais cedo para recuperar o que deixei pra trás, mas levar para casa eu não levo. Quando viajo, no avião, leio livros, não fico trabalhando.

O que faz quando quer relaxar?

Faço esporte todos os dias, logo cedo: musculação, corrida ou caminhada. No fim de semana, vou à fazenda, que me "oxigena".

O que o sr. pretende fazer quando se aposentar? Vai para a fazenda, cuidar de seus negócios por lá?

Acho que a gente tem de mudar de função, mas não parar de trabalhar. Minha intenção, saindo da Nestlé, é dar um corte: não continuar no conselho, por exemplo, porque essa não seria uma situação cômoda para quem chegar para ocupar o meu lugar. Minha ideia é sair desse mundo. A experiência tem sido maravilhosa, faria tudo de novo. Mas minha intenção é cuidar eu mesmo da minha agenda. Deve ser bom isso (risos). Quero ter um pouco mais de tempo para mim mesmo e para a família, e talvez tomar frente em um projeto social.

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