Gosto por imóveis turbina o setor de fundos
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Gosto por imóveis turbina o setor de fundos

Pequenos investidores vão às compras via mercado financeiro

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
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25 de abril de 2021 | 07h00

Se o assunto é diversificação, o mercado imobiliário, e todas as suas vertentes, como o segmento de fundos imobiliários, sempre atraiu a atenção dos investidores brasileiros. A conjuntura econômica dos últimos anos, apesar de todos os percalços, tem reforçado ainda mais essa atração. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o número de contas de fundos imobiliários subiu quase 145% no ano passado na comparação com o ano anterior, totalizando mais de 4,4 milhões de contas.

A categoria cresceu acima da média da indústria de fundos, que registrou aumento de 20% no número total de contas no período. Ao todo, o setor fechou o ano passado com 25,9 milhões de contas – considerando todos os tipos de fundos e que cada investidor pode ter mais de uma conta – e os fundos imobiliários representaram 17% desse total. Em 2019, correspondiam a 9%. Especialistas destacam que a evolução desses fundos está relacionada à queda da taxa de juros, que passou de 6,5% para 2% entre 2019 e 2020.

“O crescimento do número de investidores em fundos imobiliários é impressionante. Em 2018 havia 208 mil investidores, atualmente são mais de 1,3 milhão. Isso ocorre porque existe uma relação muito estreita entre a queda da taxa de juros e a atratividade para esse tipo de produto. Além disso, o produto fundo imobiliário se popularizou como uma alternativa real de investimento para o investidor médio brasileiro, que gosta e já está acostumado a investir em imóveis. Os fundos imobiliários, por terem ativos reais, tendem a ser menos voláteis que a Bolsa. Adicionalmente, os imóveis em geral têm uma reserva de valor (custo de reposição, custo de terreno), fazendo com que os fundos imobiliários sejam negociados próximos ao valor do patrimônio líquido”, diz Rodrigo Machado, diretor-geral da área imobiliária americana do Grupo Leste. Ele comenta que o Ifix, índice que compõe uma carteira teórica com os principais fundos imobiliários do País, teve uma variação de 15,5% entre 31 de março de 2020 e 4 de janeiro de 2021.

De acordo com ele, no cenário atual, apesar do aumento da taxa de juros e da perspectiva de baixo crescimento econômico, o cenário para os fundos imobiliários segue positivo para o ano, dado que os investimentos imobiliários sempre foram vistos como uma natural proteção contra a inflação, além da demanda dos investidores por distribuições regulares de dividendos.

O planejador financeiro pela Planejar, Orlando Lincoln, explica que o FII (Fundo de Investimento Imobiliário) tem uma lógica simples. Os fundos, normalmente, detêm imóveis e quem comprar cotas de um fundo vai ter partes dos imóveis. “A vantagem de investir em um fundo em vez de adquirir um imóvel é que o fundo é uma junção de diversos cotistas e mesmo os pequenos investidores, que tenham um capital menor, podem comprar cotas e se tornarem dono de parte de um imóvel que está dentro do fundo”, diz o especialista. (GS)

Questão fiscal é um dos atrativos dos fundos de investimento

Um dos principais atrativos dos fundos imobiliários é tributário, já que esse investimento tem algumas isenções fiscais. “Uma das vantagens do FII (Fundo de Investimento Imobiliário) é que o rendimento mensal é isento do Imposto de Renda, enquanto que a renda de aluguel vai se somar a outras e pode ser passível de tributação”, alerta Orlando Lincoln, planejador financeiro CFP pela Planejar, ao destacar que, ao vender a cota, o ganho de capital está sujeito a uma tributação de 20%. Como regra, as operações realizadas pelo fundo de investimento imobiliário não estão sujeitas a qualquer tributação.

O advogado Tomaz Henrique Lopes, sócio do escritório Souto Correa Advogados, explica que, para que isso seja verdade, devem ser respeitados alguns requisitos legais. “Entre eles a não aplicação pelo FII, de recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador construtor ou sócio cotista que possua mais de 25% das cotas do fundo. O rendimento distribuído ao cotista pessoa física fica isento do Imposto de Renda, quando ele for titular de menos de 10% das cotas ou dos rendimentos de FII que possuir no mínimo 50 cotistas e tiver suas cotas negociadas em Bolsa de Valores ou mercado de balcão organizado”, explica Tomaz Henrique Lopes, sócio do Souto Correa Advogados.

“O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos e ganhos auferidos pelos cotistas, quando distribuídos pelo FII ou no resgate das cotas, deve ser calculado e recolhido na fonte pelo administrador do FII. O contribuinte, que aufere a renda, é sempre o cotista. Entretanto, a responsabilidade pelo recolhimento, nesses casos, é atribuída ao administrador do FII. Já na alienação de cotas do FII, o Imposto de Renda sobre o eventual ganho deve ser calculado e recolhido de acordo com as regras aplicáveis para as operações realizadas dentro (ganhos líquidos) ou fora (ganhos de capital) de Bolsa”, esclarece Giácomo Paro, sócio do escritório Souto Correa Advogados.

Foi de olho nas vantagens fiscais e no retorno financeiro que o comerciante Paulo da Silva decidiu migrar parte dos seus investimentos para o FII. “Sempre tive aplicações na renda fixa. Não tenho perfil para investimentos de risco, mas, com a queda da rentabilidade da renda fixa, decidi começar investindo em fundo imobiliário, porque eles têm um imóvel por trás e isso me dá um pouco mais de segurança”, diz.

O empresário optou por investir no chamado fundo de tijolo para receber uma retirada mensal. “Acho que alguns tipos de imóveis sempre se valorizam, como o setor de logística e shoppings, mas eu não teria recurso suficiente para comprar uma unidade dessas para depois receber aluguel. Com o fundo imobiliário, eu consigo fazer isso”, diz ao comentar que a isenção fiscal foi um fator importante para a sua decisão.

Para especialistas, existem inúmeros benefícios para o investidor de fundos imobiliários. “Dentre eles estão a diversificação (vários segmentos e tipos de imóveis), liquidez (mercado secundário em Bolsa, ajustando o tamanho da sua necessidade de liquidez), isenção fiscal (distribuição de renda sem impacto fiscal), além de uma gestão profissional dos ativos (sem a preocupação de gerir aluguel, IPTU etc., que são preocupações típicas de um investimento em imóvel)”, diz Rodrigo Machado, diretor-geral da área imobiliária americana do Grupo Leste.

 

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