DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Governabilidade de Temer até 2018 passa por aprovação da PEC de gastos, diz economista

Para Eduardo Gianetti, peemedebista ainda corre riscos políticos, com eventual surgimento de novos fatos nas investigações da Operação Lava Jato

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 16h05

RIBEIRÃO PRETO - O economista Eduardo Giannetti disse, em entrevista ao Broadcast, que o grande sinalizador do governo Michel Temer (PMDB), após a ratificação dele no cargo de presidente da República, será a aprovação, até o final deste ano, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos para o ano corrente à inflação do anterior. Para Giannetti, caso o projeto não seja aprovado a tempo para ser implementado em 2017, o cenário de crise se complicará muito e a governabilidade de Temer estará ameaçada.

"O governo Temer usou a interinidade como um álibi para não ser mais incisivo e agressivo no início do ajuste fiscal. Com a aprovação do impeachment, acabou o álibi, o tempo começa a correr e vai ser um enorme desapontamento se não votarem a PEC até o final do ano", disse. "Se perder o timing, o quadro brasileiro complica bastante, inclusive para a governabilidade de Temer até 2018", completou Giannetti que participou, em Ribeirão Preto (SP), de um seminário do banco BRP.

A aprovação da PEC dos gastos públicos passa ainda, na avaliação de Giannetti, por um detalhamento de propostas. Segundo ele é preciso definir se o teto para Saúde será estabelecido pela soma da inflação com as despesas deste ano, marcado por uma forte queda na receita, ou se seria estudada uma alternativa parar evitar que o setor sofra com investimentos baixos em 2017. "Outra questão é o enquadramento do Judiciário, já que esse poder não terá como cumprir o aumento do gasto em termos reais nos próximos anos porque está contratado (aumentos já concedidos) e não tem investimento e custeio relevantes para cortar", explicou.

Giannetti disse que Temer deve levar adiante as reformas da Previdência e a política de concessões e privatizações. Indagado se o PSDB poderá deixar o governo caso os reajustes do funcionalismo prosperem, o economista avalia que isso não vai ocorrer e que o governo não concederá os aumentos. "Eu acredito no discurso da equipe econômica".

Para o economista, o grande risco para o governo Temer é político, com o eventual surgimento de um fato novo nas investigações da Operação Lava Jato que atinja a cúpula do governo e do PMDB. "São duas ameaças: a delação acertada do (empresário) Marcelo Odebrecht e o desenrolar do caso Eduardo Cunha, que pode caminhar em uma situação muito perigosa ao governo", concluiu.

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